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domingo, 8 de outubro de 2017

Relacionamento e Prioridade (Por Acioli Junior)



Tem coisas que só percebemos com a maturidade ou quando apanhamos muito da vida, ou pior ainda, quando perdemos algo que amamos, ou ainda, quando percebemos que amávamos depois que se foi.
Uma das marcas fundamentais de um relacionamento saudável e que será duradouro é o que denominamos: Prioridade. Uma das definições léxicas desse substantivo feminino que mais gosto é: “condição do que é primeiro em tempo, ordem, dignidade. Ou seja, prioridade é tratar o outro com máxima atenção. É tê-lo como a coisa mais importante do momento. É parar o que se faz para dar ao outro a devida atenção. É atribuir respeito e apreço ao parceiro ou parceira.
Já perdi relacionamentos com pessoas maravilhosas porque na minha imaturidade, egoísmo e inexperiência não dei a devida atenção. Também já perdi relacionamentos, porque só dei prioridade, quando a pessoa que sempre me priorizou cansou de me priorizar, e, portanto, já me tratava como sempre a tratei: com indiferença. Também terminei ou mal comecei outros relacionamentos, porque estava explícita a minha Não-prioridade e igualmente dá minha parceira, então, nesse zero a zero, melhor não começar.
Essas situações descritas acima servem para nos mostrar que entrar num relacionamento sem dar o devido respeito ao outro e sem priorizar a pessoa que se está ou se pretende estar é uma grande perda de tempo, além de somente provocar feridas no outro ou em si. A vida é muito efêmera, transitória e fugaz para a vivermos de qualquer jeito. O ser humano tem dignidade inerente, portanto deve ser tratado da melhor forma possível.
É muito fácil percebermos num relacionamento se somos ou damos prioridade. O egoísmo (pensar em si, não no casal) é uma marca singular da falta de prioridade, responder mensagens (de texto, messenger, ou Whatsapp) meia hora ou dez minutos depois estando online, é exemplo claro que não priorizamos ou não somos priorizados, pois quem o é, receberá respostas instantânea, ou quando muito uma desculpa que se está ocupado no momento, mas nunca ficará a ver navios esperando a boa vontade do outro.
É fácil perceber se somos priorizados. Ou quando deixamos de ter a prioridade do outro, mas fácil ainda, é sabermos e, por isso fingirmos que damos algo que sabemos que não damos, ou não devolvemos a altura o que nos é dado.
Eu sei que diante de um mundo virtual com tantas ofertas para alguns, é extremamente difícil priorizarmos e sermos priorizados de fato. É muito mais fácil errarmos do que acertarmos num relacionamento no contexto social atual.
Mas uma coisa é sabido, não será em boates, “festinhas” e sites de relacionamentos que você encontrará alguém disposto a te priorizar. Se até nas igrejas e templos religiosos é difícil encontrar, piorou em baladas e sites de pegação.
Bom seria que cada uma pessoa fizesse uma reflexão e um introspecção sobre o que fez e tem feito da sua vida e de seus relacionamentos.
Fica quatro conselhos: primeiro, se você encontrou alguém que o priorize e você gosta dessa pessoa, aproveita essa oportunidade de ter uma vida maravilhosa, pois você acertou na Mega-sena da vida. Não dê lugar a estupidez e ao egoísmo que é inerente a vida humana, e jogue tudo a perder. Pode ser que nunca mais encontre alguém que o tenha como prioridade. Segundo, se você não é tratado com prioridade e percebe que não será tratado, não continue a dar socos em pontas de facas, termine o relacionamento enquanto antes, pois quanto mais duradouro maior serão suas feridas.  Terceiro, se você não trata com prioridade e sabe que nunca irá tratar, deixe a pessoa seguir sua vida, pelo menos ela pode encontrar alguém que a trate melhor que você e tem uma chance concreta de ser feliz. Quarto, se não quer tratar com prioridade, pois você ainda está no playground da vida, na era da curtição, abra o jogo e seja sincero, diga que quer é curti o momento, assim você não iludirá o outro e ela ficará sabendo das suas reais pretensões.
Seja alguém que viva dentro de dois conceitos humanos fundamentais: Sinceridade e Transparência. A vida e o outro agradem!!



  

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Um clamor pelo Estado Laico e pelo Ensino Religioso Não-confessional

O Brasil desde a Carta Magna de 1891 é um Estado Laico, pelo menos no papel. Essa foi a nossa primeira Constituição Republicana, segunda da nossa história, a primeira foi a outorgada por D. Pedro I em 1824, que impunha a nação o estado Confessional Católico, proibindo todas as demais práticas religiosas em território nacional.
Um estado que se declara Laico, é um estado neutro em relação a manifestação religiosa de seu povo. Pois se entende que a religião é de foro íntimo, pessoal e privado. Portanto, os entes federativos: a União, os Estados membros, o Distrito Federal e os municípios não podem nem proibir e muito menos subvencionar religiões e igrejas, algo que também não ocorre na prática, pois o que mais vemos reiteradamente é a união destes entes com o catolicismo romano, a mais de 500 anos, e com o mundo evangélico a partir da década de 1980, por conta do crescimento vertiginoso desse segundo segmento. Os numerosos feriados católicos em nosso calendário e as inúmeras procissões, show Gospel e Missas financiadas com o dinheiro público estão aí para comprovar que laicidade infelizmente é tão somente uma teoria. 
O desrespeito pelo Estado Laico é expresso pela nossa Suprema Corte, o STF, que é o órgão máximo de nossa justiça e guardião de nossa constituição, ele mesmo ao colocar um crucifixo católico em sua tribuna afronta o princípio da laicidade e da isonomia.
E mais uma vez o Estado Laico corre perigo. Não somente ele, mas o cérebro de nossos filhos. Pois está em votação no STF a ADI 4.439 (Ação Direta de Constitucionalidade), que versa sobre o Ensino Religioso em escolas públicas, se o mesmo será Confessional (Proselitismo) e Não-confessional (História das Religiões), diga-se de passagem que não é o Ensino Religioso em si que está em discussão, pois o mesmo está expresso no Artigo 210 da CF/88, mas sim a sua forma de execução nas unidades escolares.
O Ensino Religioso Confessional é uma forma de proselitismo, de propaganda religiosa, de marketing de uma determinada fé as custas do dinheiro público (de toda sociedade). É portanto, uma aberração! É usar o dinheiro do estado para promover determinada crença religiosa. E todos sabemos, que as religiões já possuem meios de promoção doutrinária, como o catecismo católico, a escola dominical e sabatina dos evangélicos e os cultos de ensino das demais religiões, não necessitando, destarte, de utilizar a escola pública para essa finalidade de propagação da fé.
Já o Ensino Não-confessional, é aquele que pressupõe o conhecimento e o respeito para com as distintas formas de manifestação do sagrado. Além do conhecimento de inúmeras culturas, religiões e credos. Levando o aluno a uma reflexão aprofundada da vida, não míope e medíocre, que é o que estabelece o ensino confessional.
A sociedade brasileira é plural. Por mais que o cristianismo ainda seja a religião da maioria da população, não podemos fazer de um Estado Democrático de Direito, uma ditadura da maioria, como querem os segmentos religiosos majoritários.
O fato de o Ensino Religioso ser facultativo, como assevera a nossa Carta Magna, no Artigo 210, não é a desculpa para se impor o ensino de um único credo aos discentes. Quanto mais ampla e abrangente for a formação dos nossos alunos, melhor será a sua capacidade de convívio num mundo plural e diverso.
A vitória do Ensino Religioso Confessional é o mesmo que retrocedermos a Idade Média. É matarmos a riqueza que é o convívio com as culturas diferentes e com o contraditório. A vitória do Ensino Não-confessional é a garantia do respeito as diferenças e as minorias.
Infelizmente os educadores, movimentos sociais, as ONGs e todos aqueles que lutam por uma educação livre, plural e inclusiva não acordaram e perceberam a importância do julgamento dessa ADI 4.439, pois a mesma pode implicar numa sociedade mais tolerante ou opressiva num futuro bem próximo.
         



sábado, 17 de junho de 2017

Aposentados: O que Comemorar!?

Hoje, dia 17 de junho, é o dia do Funcionário Público Aposentado. Em inúmeras prefeituras do Brasil, os idosos tem seus salários atrasados, inclusive aqui em Cabo Frio. Mas, a situação é infinitamente mais caótica, para os aposentados e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro, os mesmos estão a quatro meses sem receber seus salários. E o nosso estado está entre os mais ricos da nação. Uma das maiores rendas per capta da América Latina, que sozinho produz 81% de todo o petróleo produzido no Brasil.
Esse mesmo ente federativo que gastou 39 bilhões de reais para fazer as Olimpíadas, gastou 1,2 bilhões na reforma hiper faturada do Maracanã, e que anistiou inúmeras empresas financiadoras de campanhas de Sérgio Cabral e Pezão, inclusive uma Termas (popularmente conhecida como puteiro). As cifras da “bondade” fiscal de Cabral e Pezão chegaram a 285 bilhões de reais, segundo os Jornais O Globo e O Dia e, conforme o TCE, entre 2008 e 2013 passaram de 200 bilhões de reais, esse volume de dinheiro, segundo economistas, pagariam mais de sete anos de salário do pessoal da ativa, aposentados e pensionistas do estado.
Até a empresa mais rica do Brasil, a Ambev, deixou de pagar 630 milhões de reais em impostos ao estado carioca supostamente quebrado, e pasmem, foi o próprio governador, no dia 6/4/2017, quem pediu a ALERJ (Assembleia Legislativa do Estado), que aprovassem um Projeto de Lei (PL 2543/2017), isentando a mega empresa de impostos, tudo por que o dono da empresa, é amigo de Cabral, Pezão, Picciani e outros canalhas do nosso Estado. As benesses estatais não ficaram somente em anistia de impostos; o governador também pagou a conta de luz da Odebrecht, no valor de 38 milhões de reais. Não se esquecendo que o Marcelo Bahia Odebrecht, é o maior “amigo” e “padrinho” dos políticos corruptos brasileiros.
E se não bastasse isso, agora vemos o nosso presidente ilegítimo e sem apoio popular, tentando aprovar uma reforma da previdência aonde o trabalhador, segundo quer o governo federal, deve trabalhar 49 anos para se aposentar, mas Michel Temer se aposentou com 53 anos de idade, e seu ministro, que luta pela aprovação dessa contrarreforma, se aposentou com 50 anos de idade. A falta de ética, disfarçastes e o despudor é a marca da politicagem nacional. Sem contar o fato de os governantes e legisladores da república, somente legislarem em causa própria e para seus financiadores de campanha, esses últimos, são os únicos que lucrarão com ambas contrarreformas, da Previdência e Trabalhista, colocando a população numa situação de semiescravidão e de exploração extenuante!    
Os trabalhadores brasileiros, principalmente, nossos aposentados que trabalharam dignamente com tanto afinco e destreza, não podem pagar a conta da corrupção dos governantes. Não podem pagar pela incapacidade administrativa e gerencial dos mesmos.  
Nesse dia, 17/06, que deveria ser um data especial. Tornou-se uma data de lamento, do choro e do ranger de dentes. Daqueles que trabalharam honestamente a vida inteira, mas agora, não possuem nem o direito constitucional de receberem sua aposentadoria em dia!



    

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Uma feliz descoberta e uma triste constatação!

Na quarta-feira, 9 de maio de 2017, participava de um Conselho de Classe na minha escola no município de Rio das Ostras, como muitos professores são oriundos da cidade de Casimiro de Abreu e  principalmente de seu distrito Barra de São João, eu aproveitei para entrevista-los sobre a Ponte[1] Caída de Barra,[2] queria saber quando a ponte foi construída, quem a mandou construir (em qual governo), qual a finalidade de sua construção e, principalmente, quando ela caiu.
As entrevistas responderam algumas das minhas perguntas, descobrir a data da construção da Ponte, ano de 1942 e sua finalidade, que era para servir como ferrovia, não como rodovia, como pensam as pessoas que não conhecem sua história. Porém, eles não souberam responder a principal questão, a data da queda da ponte. Nem nos sites das duas prefeituras (Casimiro de Abreu e Cabo Frio) tem essa informação. Entretanto, eles me indicaram uma certa senhora, dona Elza, moradora e comerciante de Barra de São João, uma profunda conhecedora da história e causos da localidade.
Após o final do conselho de classe prontamente me dirigir a casa dessa senhora, encontrei seu comércio fechado e decidir não chama-la em casa, pois já era quase noite e chovia. Então, me dirigir a Campos Novos, Segundo Distrito de Cabo Frio, fui a casa de minhas tias[3] e começamos a falar das histórias e principalmente das lendas envolvendo a Fazenda Campos Novos e região.
Ao relatar a ambas, os resultados de minhas entrevistas e falar sobre a estação ferroviária de Barra de São João e da finalidade da Ponte Caída, que era servir como ferrovia, minhas tias disseram: “mas aqui também tem uma estação ferroviária bem perto, ela está em área da Marinha, perto da escola pública municipal”. Eu fiquei estupefato com o que ouvi, admirado, alegre e espantado. Pois eu ouvi pela primeira vez sobre um monumento histórico, no qual estava bem próximo, e nos livros de História de Cabo Frio, que não são muitos e já os li todos, nenhum falava dessa estação, muito menos sobre a possibilidade de passar trens nessa localidade.   
O mais interessante foi ouvir sobre um monumento histórico importantíssimo para a história da cidade de Cabo Frio, especialmente para o Segundo Distrito, mas as pessoas que falaram dele pareciam esta relatando de algo totalmente sem importância e insignificante. Eu disse para minhas tias: _ “Ninguém pode valorizar aquilo que não foi educado para valorizar, muito menos porque o poder público (municipal e federal - já que a área pertence à Marinha, ou seja, a União) também não valorizam seu patrimônio”.  
É fundamental as pessoas serem educados patrimonialmente, para assim valorizarem sua história, memória e identidade cultural. Por isso, que urge um trabalho sério com nossos alunos para que eles respeitem e se identifique com o patrimônio da localidade a qual pertencem. Da mesma forma, que é necessário o poder público, nas esferas municipal, estadual e federal dar o devido valor ao rico patrimônio da localidade. Pois se o governo não os valorizar, dificilmente os governados os valorizarão.
É inaceitável saber que um monumento histórico está abandonado a quase um século, sem que o poder público, as escolas, os pesquisadores e a própria comunidade local o conheça. Ele está a décadas imperceptível e abandonado em meio a um matagal, como sendo algo de pouca importância, e o pior, a poucos metros de uma escola pública municipal, mesmo assim os professores e alunos não conhecem a estação, muito menos sua história.
Fiquei muito feliz enquanto pesquisador por ter descoberto essa subestação e muito triste por saber que Cabo Frio e o Brasil tratam tão mal da sua história e seu patrimônio cultural!




[1] Ao lado dessa ponte está à ponte “nova” que faz divisa entre os municípios de Cabo Frio e Casimiro de Abreu. No lado de Cabo Frio, fica o bairro de Santo Antônio, no Segundo Distrito, no lado de Casimiro, seu Distrito chamado Barra de São João, por isso, ela é conhecida como ponte Caída da Barra.   
[2] A entrevista teve a finalidade de saber sobre a Ponte, porque no meu Roteiro Histórico e Ambiental, escrevo sobre as três praias do segundo Distrito: Unamar, Aquarius e Pontal (essa última próxima à ponte) e sobre os Rios Una e São João (esse último tem a foz na praia do Pontal, junto à ponte). Por isso se fazia necessário contar a sua história, era algo imprescindível a meu trabalho!  
[3] Minhas tias, que chamamos carinhosamente de Tia Dora e Tia Dadá, são nascidas e criadas em Campos Novos, assim como minha mãe que nasceu dentro da Fazenda de mesmo nome. Elas moram a mais de 60 anos no local e conhecem muitas histórias da região. 

terça-feira, 9 de maio de 2017

O Drama da Educação!

Refletindo sobre a Educação:
A situação é a seguinte:
Em uma das escolas que leciono, nas minhas cinco turmas de História, os números são esses:
Turma 601: total 36 alunos, 16 reprovados no Bimestre.
Turma 701: total 35 alunos, 18 reprovados no Bimestre.
Turma 702: total 38 alunos, 18 em Recuperação, ainda não se sabe quantos desses ficaram reprovados no Bimestre.
Turma 704: 36 alunos,15 reprovados no Bimestre.
Turma 801: 32 alunos, 17 reprovados no Bimestre.
Moral da História 1: É impossível ensinar e escolarizar aqueles que não querem e se negam a aprender, mesmo com capacidade cognitiva para fazê-lo.
Moral da História 2: Professor não dá, muito menos inventa notas. Notas o aluno conquista. Professor que inventa notas e tem todos seus alunos aprovados, com a clientela de alunados de hoje, com certeza é alguém antiético.
Moral da História 3: É sempre bom lembrar: Educação vem de casa, a escola cabe a escolarização, não a educação. Não podemos confundir as duas coisas e os dois papeis distintos, da família e da escola.
Se seu filho não te respeita e nem faz tarefas simples em casa, ou sem negar a fazer. Não respeitará seus professores e nem fará as tarefas de escola, muito menos as enviadas para casa.
Enquanto receber bolsa família ser a razão de muitos pais colocarem seus filhos na escola (pois se não estiverem matriculados não recebem o benefício), teremos uma educação pública caótica.

sábado, 6 de maio de 2017

O Abandono do Bairro Perinas e da Praia Nordeste


No dia 6 de maio de 2017 eu fui a Perynas fazer trabalho de campo: gravar um documentário sobre a Praia Nordeste, a menos conhecida de todas as praias de Cabo Frio, e tentar fotografar os escombros da antiga Companhia Salinas Perynas, a primeira grande indústria de sal do Brasil e entrevistar antigos funcionários tanto dessa refinaria como da Sal Cisne, empresa ainda em atividade, situado no mesmo local.
Ao chegar na localidade deparei-me com uma corrente no portal da entrada do bairro. Algo normal, já havia visto aquela cerca e guarita com vigia antes, então, me dirigir ao senhor que trabalhava e perguntei se estava liberado a entrada, como sempre esteve, ele me respondeu que não. Expliquei que fui no local para pesquisar sobre meu livro e que não iria até os escombros da indústria (já que ele me avisou que era proibido ir até lá) mas somente na praia, o vigia gentilmente deixou, ainda mais por está de motocicleta, na verdade a corrente está ali para impedir, principalmente a entrada de carros. Lembrando que de fato quase ninguém vai mais até a Perynas.
Eu fiz o documentário sobre a Praia Nordeste, fiquei muito triste por perceber que um lugar tão especial vive em total abandono e é extremamente desconhecido da população cabo-friense e, principalmente dos turistas.
Ao sair da praia quis passar pelo bairro, local onde eu na minha adolescência costumava jogar futebol, num campo no centro do bairro, ao lado da igreja Católica.
Ao caminhar pela localidade percebi que todas as casas sem exceção estão em completo abandono. Não existe sequer uma família ou um único morador no bairro. Todos deixaram suas casas. A maioria das residências têm portas e janelas abertas ou furtadas por assaltantes, que aproveitam a situação de total deserção para praticar furtos.    
A situação é tão caótica que quase todos os postes de luz da localidade tiveram seus fios de cobres furtados. Inclusive, o sino de mais de cem quilos da Igreja Católica, que também está abandonada, foi furtado.  
Esse bairro ou vila, como muitos preferem chamar, tem quase 200 anos. Foi formado por trabalhadores da primeira indústria salineira do Brasil, a Salina Grande, criada pelo alemão Luiz Lindemberg, no ano de 1828, mas que recebeu autorização de construção por D. Pedro I, em 1823. Em 2008, com a decretação de falência da Companhia Salinas Perynas, fez com que a maioria de seus moradores, que eram funcionários ou aposentados da empresa, começam a se retirar do local.     
Visitar Perynas é andar em meio a um cemitério de casas, indústria e dos sonhos de centenas de trabalhadores. Além disso, é perceber que a população e os turistas não terão o direito de conhecer uma das mais belas praias lacustres de Cabo Frio, a praia Nordeste!!