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sábado, 5 de maio de 2018

Reflexões na hora do almoço

Reflexões na hora do almoço (por Rogério Carvalho)

Hoje bem cedinho pela manhã, me deparei com esta cena. A gente não precisa de muita criatividade para entender o que aconteceu. Nos minutos que me sobraram antes da chegada dos alunos, fiquei pensando em como temos falhado miseravelmente com a educação. Os portões de um colégio deveriam estar escancarados e ainda assim os alunos deveriam desejar ficar.
Se a escola fizesse sentido para eles desde sempre, talvez alcançássemos  essa meta que hoje parece ser tão utópica. Fugir da escola é normal?  Não gostar de estudar é normal? Penso que não. Não é normal é normose (doença da normalidade).
Se considerarmos que o que se ensina na escola é a própria cultura humana. Que todos os conhecimentos já adquiridos pela humanidade lá estão , como podemos imaginar que alguém se recuse a receber tais ensinamentos e a possuir tamanho poder?
 Dizem corriqueiramente que os nossos alunos não querem nada.Pode ser que não tenham lhes ensinado o  que e para que querer.
Talvez nossos alunos não tenham aprendido a aprender.Talvez nós professores não tenhamos aprendido a ensinar. 
Talvez a escola não fosse um lugar do qual se precisasse fugir se nós soubéssemos porque ficar.

No fundo a escola não é um lugar ruim, pena que tem aula.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Legalidade X Moralidade e os Magistrados brasileiros

Quem aceita o mal sem protestar, coopera com ele! Martin Luther King

Há uma frase de autor desconhecido que diz que “A Justiça é o conceito que este mundo mais desconhece”. E isso é simples de entender. As pessoas erroneamente supõem que para haver justiça ou aplicar a justiça basta cumprir as leis de uma determinada Nação, Estado ou Município. Porém, as leis são normalmente feitas por um determinado grupo, as elites econômicas ou as castas político-religiosas. Portanto, as leis beneficiam quase que exclusivamente a esses grupos dominantes, não toda a sociedade, como pensam os incautos.
Ter um conjunto de leis, uma constituição e numerosos decretos legais não é garantia que a justiça esteja sendo feita, pois aonde há privilégios não pode haver justiça.
Legalidade e Moralidade são conceitos distintos, no Brasil normalmente estão em oposição. E esse excerto foi escrito para demonstrar quem nem tudo que é Legal é Moral. E iremos utilizar como Estudo de Caso a concessão de Auxílio–Moradia para Magistrados e membros do MP (atualmente 4.377,00 por mês).
Mas, primeiro vamos definir o que são esses dois conceitos: Legalidade e Moralidade.
Legalidade é a qualidade ou estado do que é legal, do que está conforme com ou é governado por uma ou mais leis.
O princípio da legalidade consiste no dever do administrador público de agir conforme a lei e o direito. Significa dizer, ao gestor público é permitido realizar tudo o que a lei prevê. O silêncio da lei deve ser interpretado como uma proibição.
Já a Moralidade é o conjunto dos princípios morais, individuais ou coletivos, como a virtude, o bem, a honestidade, etc.;
A moralidade se refere à ética, decoro, lealdade, probidade e boa-fé na condução do aparato público. O respeito a estes preceitos é o mínimo que se espera de qualquer agente político, sobretudo, no caso aqui estudado, dos magistrados.
Voltando ao benefício em questão, o auxílio-moradia. Deveria ser pago exclusivamente ao magistrado que estivesse prestando serviços em numa comarca, onde o mesmo não tivesse moradia fixa. Mas esse benefício foi estendido a todos os magistrados pelo Ministro do STF Luiz Fux através de liminares em 2014. Hoje 18 mil juízes recebem esse benefício, mesmo possuindo casa própria.
O Brasil gasta segundo o CNJ R$ 1,1 Bilhão de reais por ano, somente com o auxílio-moradia. Com esse dinheiro poderia se construir mais de 50 mil casas populares por ano, para aqueles que precisam de fato. Sem contar os demais inúmeros Penduricalhos, que é o nome dado os demais benefícios que se juntam ao salário base dos juízes.
O desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo José Antonio de Paula Santos Neto é proprietário de  60 imóveis, nos principais bairros da capital paulista, mesmo assim é recebedor dessa benesse “legal”.
Mas o que é de estranhar são os dois grandes paladinos do judiciário brasileiro receberem esse auxílio, os juízes Sérgio Moro e Marcelo Bretas, ambos magistrados federais responsáveis pela Operação Lava Jato, endeusados por grande parcela da população brasileira e com prestígio mundial. Mesmo possuindo casa própria, eles recebem o auxílio-moradia, de maneira imoral, leviana, ignominiosa, porém legal!
O caso de Bretas ainda é pior e mais imoral que o do Moro. Pois ele por ser casado com uma juíza, ainda residindo no mesmo apartamento em frente ao Corcovado, num dos locais mais lindos e caros do RJ, ambos recebem o benefício, o que é proibido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas o casal recebe quase R$ 9.000 de auxílio por conta de uma liminar de 2015.
Moro ao ser questionado sobre o recebimento imoral do benefício disse que é uma compensação salarial por falta de aumento. A repórter da Jovem Pan, outrora, fã do juiz o respondeu, dizendo: “Tá errado, Moro. Auxílio-moradia não é compensação salarial. Auxílio-moradia está previsto em Lei mais é anacrônico, imoral e não é condizente com o padrão ético e moral de juízes como  senhor, Marcelo Bretas... que pregam e apregoam como uma novidade para o Brasil, um novo patamar de ética.”
Já o juiz Marcelo Bretas foi extremamente irônico em seu Twitter sobre o recebimento imoral de seus dois benefícios. Numa atitude lastimável e indigna de um magistrado que condenou Sérgio Cabral e outros corruptos e que inicia suas sentenças citando versos bíblicos.
Lembrando que “A justiça é um valor que nasce no coração e se revela na coragem das nossas ações”. Já dizia Martin Luther King: “A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar”. E “Bastava um dia de justiça para este mundo se tornar um lugar diferente”.
Além de receberem o imoral auxílio-moradia, ainda recebem acima do teto Constitucional, de R$ 33.763 que é o valor máximo que um juiz federal (ou qualquer outro servidor) deve receber no país.
Meu amigo Hainner Azevedo escreveu em seu Facebook: “Desejo a todos os professores o salário inicial do auxílio-moradia de um juiz”. Ou seja, benefícios legais, todavia, imorais para uns; salário indigno e imoral para outros. E ambos professores e juízes são fundamentais a uma sociedade.
Além do expresso acima é fato notório a crise econômico-financeira vivenciada pela União e pelos estados brasileiros.
Assim, no enfrentamento à crise vários cortes foram feitos no orçamento e em programas de extrema relevância à população. Contudo, os benefícios de certa casta do funcionalismo público e dos políticos só aumentam.
 Destarte, qualquer medida que se caracteriza como despesa não voltada às atividades essenciais do estado caracteriza-se como ilegítima, pois viola a moralidade administrativa.
A presidenta do STF, a Ministra Carmem Lúcia disse que é “inadmissível desacatar a justiça brasileira”. Mas é ela e seus comparsas que em decisões que beneficiam a si próprios que desmoralizam o poder judiciário, com a desfaçatez da legalidade.   
Diante do exposto, não podemos nos calar diante de benefícios imorais que determinado grupo recebe com o manto da legalidade. Ainda mais aqueles que se gabam e ganham fama e notoriedade como os heróis nacionais e perseguidores de corruptos. Quanto na verdade, o recebimento de tal benefício também é um ato nefasto, ainda mais em tempo de crise econômica, sendo eles aqueles que recebem os maiores salários dentre todo o funcionalismo público.

Precisamos de mais Moralidade que de legalidade. Ou de leis mais justas e morais!

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Votos Nulo podem anular uma eleição? (por Acioli Junior)


O que acontece quando eu voto Branco ou Nulo?
Voto Nulo pode anular de fato as eleições?
Com 51% de votos Nulos a eleição está anulada, sendo que terá outra com outros candidatos?
Toda vez que está estamos perto do pleito eleitoral, as pessoas fazem as perguntas acima. A maioria da população crê que as respostas a essas questões sejam afirmativas. Ledo engano.
É mentirosa a informação que afirma que votos Brancos ou Nulos são contados. Como também é falsa a informação que diz que o voto branco ajuda aos partidos que estão na frente e que se 51% dos eleitores votarem nulo, a eleição está anulada e terão novos candidatos.
Como também é falso que a única forma de anular o voto seja teclando 000 e a tecla verde (Confirma).
Essas afirmações só demonstram a falta de conhecimento das pessoas sobre a legislação eleitoral vigente no Brasil.
Existem inúmeros vídeos de advogados e juristas desmentindo essas falácias.
Tanto os votos Brancos quanto os votos Nulos são considerados inválidos, sendo assim não são contados. Só servindo as estatísticas. Por isso, se em uma eleição, o candidato tiver um único voto, ele ganhará a eleição com 100% dos votos válidos. Pois só o dele foi contado e os demais Brancos e Nulos não. Portanto, voto Nulo não anula eleição alguma, pois os mesmos são considerados zerados, eles só servem para demonstra a indignação e o protesto popular! De novo, a única coisa que o eleitor terá ao votar Branco ou Nulo é a desconsideração de seu voto!
O problema é que as pessoas por não conhecerem a Lei e os termos jurídicos, não sabem diferenciar Nulidade com votos em Nulo.
Para os defensores da campanha do voto nulo, o art. 224 do Código Eleitoral prevê a necessidade de marcação de nova eleição se a nulidade atingir mais de metade dos votos do país. O grande equívoco dessa teoria reside no que se identifica como “nulidade”. Não se trata, por certo, do que doutrina e jurisprudência chamam de “manifestação apolítica” do eleitor, ou seja, o voto nulo que o eleitor marca na urna eletrônica ou convencional.
A nulidade a que se refere o Código Eleitoral decorre da constatação de fraude nas eleições, como, por exemplo, eventual cassação de candidato eleito condenado por compra de votos. Nesse caso, se o candidato cassado obteve mais da metade dos votos, será necessária a realização de novas eleições, denominadas suplementares. Até a marcação de novas eleições dependerá da época em que for cassado o candidato, sendo possível a realização de eleições indiretas pela Casa Legislativa. Mas isso é outro assunto.
E isso, é o que pode ocorrer tanto em Cabo Frio, com o prefeito Marquinhos Mendes, como em Iguaba Grande com a prefeita Graziela, ambos podem ser considerados judicialmente, ou seja, pela autoridade judicial (Juiz, Desembargadores ou Ministros do TSE) como tendo os seus votos anulados.
Portanto, é falsa, mentirosa e ilusória a crença que 51% dos eleitores votando Nulo, ocorrerá novas eleições!


quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Relacionamento a Dois e a Lógica de Mercado (por Acioli Junior)


Vivemos dias difíceis. Tenebrosos! Não está fácil pra ninguém. Até para aqueles que possuem um poder aquisitivo alto ou se destacam socialmente (jogadores, artistas, políticos, traficantes e etc.) têm dificuldades de se relacionar num mundo de relações líquidas e de tempos líquidos, pelo simples fato de que facilidade não é sinônimo de reciprocidade, estabilidade relacional e de cumplicidade, muito pelo contrário, pode significar relações vazias, fúteis, sem comprometimentos e descartáveis.
Um jovem no início do século XXI ou agora em 2018, se ouvir de seus avós as histórias de como era o namoro deles a 40 anos atrás ficará estarrecido, pensando que isso ocorreu no Paleolítico, com os homens e mulheres da caverna, mesmo com pouca proximidade temporal. Essas poucas décadas geraram uma profunda Revolução nas relações a Dois.
As famosas Bodas de Prata, Ouro e Diamante foram dando lugar ao “ficar”, ao sexo sem compromisso e sem laços afetivos. As separações estão cada dia mais corriqueiras e normalizadas nas sociedades contemporâneas.
Essa inconsistência nas relações, tão presente atualmente, foi prevista pelo sociólogo Zygmunt Bauman, em “Amor Líquido”. Na obra, o sociólogo polonês discute os relacionamentos na contemporaneidade, em que nada é feito e que escorre pelos vãos dos dedos.
Bauman faz uma metáfora das relações com um vaso de cristal, que quebra na primeira queda. As crises, assim, não são mais para ser superadas, e sim, tornam-se o motivo para o fim do relacionamento.
Os relacionamentos nos dias atuais possuem a mesma lógica de Mercado, veja os exemplos abaixo:
Aparelhos eletrônicos, eletrodomésticos, carros e móveis não são feitos para durar, são planejados na intenção de serem substituídos em pouquíssimo tempo, no que se chama de obsolescência programada que “é a decisão do produtor de propositadamente desenvolver, fabricar, distribuir e vender um produto para consumo de forma que se torne obsoleto ou não-funcional especificamente para forçar o consumidor a comprar a nova geração do produto”. Já a obsolescência perceptível, conforme Layrargues (2005, p, 183) acontece quando as pessoas são induzidas à consumir bens que se tornam obsoletos antes do tempo, tendo em vista que atualmente os produtos saem das fábricas com tempo de validade “vencido”.

Desta forma, observa-se que os avanços tecnológicos contribuem para o descarte de produtos que ainda poderiam ser úteis. A todo o momento aparecem produtos mais sofisticados no mercado. Percebe-se, assim, uma clara união entre a obsolescência perceptiva e a criação de “demandas artificiais no capitalismo”, induzindo o indivíduo ao pensamento ilusório de que a vida útil do seu produto esgotou-se, mesmo que ele ainda esteja em perfeitas condições de uso. (Santos Junior, p. 6).

  Até os relacionamentos a Dois: casamento, noivado e namoro incutiram essa e outras lógicas de mercado. Que é a ideia que relação tem prazo de vaidade ou que pode ser brevemente substituída por “aquele ou aquela” que se apresentar melhor (mais belo, mais atlético, mais sexy) que seu parceiro ou parceira.
Outras duas lógicas mercadológicas têm dominado os relacionamentos interpessoais em nossos dias: a lógica do “Descartável” e do “Não tem Conserto”.
A lógica do Descartável é aquela do “usou e jogou fora”. Como copos e pratos plásticos que são usados em festas, que após seu uso, vai-se ao lixo, diferente das louças de porcelana e vidro que são lavadas com cuidado e guardadas. As pessoas a algumas décadas substituíram o uso do vidro e da porcelana pelo plástico descartável, para simplesmente não terem trabalho. Infelizmente essa lógica passou para as relações conjugais e afetivas quando se consegui chegar a elas, normalmente ficamos no “ficar” e no sexo casual, mas até essas relações aparentemente mais duradouras tornaram-se meramente descartáveis, nos EUA, por exemplo, de cada 10 casamentos, 5 se separam em menos de uma década, no Brasil e na Europa, não é diferente, mesmo sendo nós majoritariamente uma civilização cristã, que se casam ouvindo o sacerdote dizer: “até que a morte vós separe”, essa frase perdeu-se a importância nos últimos tempos, tornando-se apenas um clichê bonito de ouvir e dizer!
Outra lógica dos dias atuais é a lógica do “Não tem Conserto”. Essa lógica mercadológica se baseia na facilidade de se ter produtos semelhantes ou similares a preço baixo, não significando que Não haja conserto de fato em seu produto que por algum motivo esteja com problemas, mas que simplesmente é mais fácil substituí-lo por um novo do que investir tempo, dinheiro e afetividade em restaurá-lo. É só lembrarmos do trabalho minucioso e cuidadoso dos restauradores do Patrimônio Histórico para perceber que é mais fácil e rápido substituir que restaurar. Essa mesma ideia, assim como a do “descartável” passou a dominar as relações interpessoais. Sendo mais fácil substituir uma relação que tem mostrado algum problema, mesmo que o mesmo seja de fácil ou média resolução, por novas relações. Até com os verdadeiros amigos de longa data temos agido com semelhante lógica, pois só os verdadeiros amigos têm coragem de nos dizer verdades duras que ninguém ousariam nos falar, talvez por isso, queiramos substituir esses nobres companheiros, por mais um “colega”, sem nenhuma profundidade relacional.
Contra toda essa lógica descrita acima, foi feito o Filme Cristão: “Prova de Fogo”, que trabalha com a ideia de restauração e luta pelo relacionamento esfacelado e problemático com tudo para ser destruído.
Um bombeiro percebe que perdeu o interesse pela sua esposa e vê seu casamento desmoronando. Na tentativa de tentar reverter a situação, ele resolve procurar ajuda em um livro cristão de auto-ajuda. Guiado pelo livro e com a ajuda de seu pai, ele embarca em uma missão de 40 dias para salvar seu casamento do divórcio.
Diante do exposto, só temos duas saídas, ou vamos pela via mais fácil, que é sucumbir e ceder a Lógica de Mercado nas Relações Interpessoais, ou seja, vivermos em relações líquidas, não sólidas e sem raízes, num eterno troca-troca, sem compromissos e sem uma história de vida. Ou buscarmos o caminho estreito, difícil e escabroso, que é investir num relação duradoura e seus muitos percalços, essa segunda via só é possível com o amadurecimento pessoal, capacidade de perdoar, doação, reciprocidade e compaixão.

Devemos fazer uma introspecção e procurar o melhor caminho. Lembrando: hoje se relacionar não está fácil pra ninguém, nem para o autor do texto!!    

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O Messianismo Político e a Ascensão de Jair Bolsonaro



O Brasileiro dificilmente aprende com a sua própria história. Toda vez que estamos perto do pleito eleitoral às pessoas aflitas começam a buscar os supostos “salvadores da pátria” os “messias” da última hora, aqueles que trarão luzes em meios às trevas, esperança em meio à desesperança, riqueza em meio à pobreza, segurança em meio ao horror da criminalidade e saúde para um povo desvalido e doente.
Esse fenômeno que não é somente brasileiro, apesar de ser contínuo em nossa história, é universal! Seu nome é Messianismo Político. Segundo o sociólogo Carlos Serra: “Messianismo político é a crença na capacidade excepcional de certos indivíduos de resolver problemas sociais de forma imediata e irreversível. De alguma maneira, o messianismo político é uma modalidade profana de uma crença religiosa”.
O Messianismo Político perdura independente de épocas e contextos históricos. Mas conforme Serra, ele é especialmente forte em meios sociais nos quais se conjugam três fenómenos: (1) Grande peso das tradições e das regras costumeiras; (2) Percepção da erosão dessas tradições e dessas regras; (3) Níveis de pobreza multidimensional elevados.
Frei Beto afirmar que: “Voltamos à era do messianismo político, a mesma que gerou Hitler e Mussolini”. A ascensão de políticos como Jair MESSIAS Bolsonaro, é um exemplo claro e notório desse fenômeno em nossos dias. Os seguidores entusiastas do deputado mais votado do Rio de Janeiro acreditam que ele de fato seja o Messias (o Cristo profano) conforme seu próprio nome indica. Ledo engano.
Bolsonaro é uma das velhas figuras que se apresenta como novo. Foi eleito como vereador do Rio de Janeiro em 1988, pelo Partido Democrata Cristão; em 1990, se elegeu deputado federal, conseguindo quatro mandatos consecutivos nesse cargo. Já foi filiado ao Partido Progressista Reformado (1993-1995), ao Partido do Povo Brasileiro (1995-2003), ao Partido Trabalhista Brasileiro (2003-2005), ao extinto Partido da Frente Liberal (2005), ao Partido Progressista (2005-2016), ao Partido Social Cristão (2016-2017) e, agora, está no Partido Ecológico Nacional. De 1988 a 2017, Bolsonaro já está na política há 29 anos, 25 deles no Congresso. 
Em todos esses anos no Congresso Nacional, Bolsonaro só apresentou um único Projeto de Lei, ou seja, não tem nenhuma realização substancial como político. Segundo Jean Carvalho: “Sua imagem foi inteiramente construída no mito de que ele possui uma moral ilibada, que é um militar honrado e que rompe radicalmente com o establishment político. Mas isso não é verdade”. Bolsonaro é uma velha figura política que faz parte do sistema que ele diz combater.
Bolsonaro mesmo fazendo campanhas antecipadas para presidente em 2018, usando a cota parlamentar (o que é ilegal) não possui nenhum projeto de governo. E já declarou inúmeras vezes que não tem nenhum conhecimento sobre economia.
Em 2014, ele recebeu R$200 mil da empresa JBS, envolvida em corrupção, para financiar sua campanha. Em 2017, por conta de matérias sobre o caso e da Operação Carne Fraca, ele "devolveu" o dinheiro. Só que essa "devolução" foi na forma de doação ao partido do qual ele era membro, o PP, que enviou o dinheiro novamente para ele como fundo partidário. Em termos simples: Bolsonaro fez triangulação e lavou o dinheiro por meio do partido do qual era membro. Ele não devolveu nada: ele retomou.
Segundo a declaração de bens de Bolsonaro feita ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) entre 2010 e 2014, o patrimônio dele aumentou em 150%. Ele comprou duas casas na Barra da Tijuca, uma no valor de R$500 mil e outra no valor de R$400 mil. Esse patrimônio é incompatível com os rendimentos recebidos formalmente por ele. 
Bolsonaro é alinhado à bancada ruralista (a mesma que comanda o Brasil a décadas e que é a maior das duas casas legislativas), uma das mais corruptas e nefastas do Congresso Nacional, por isso ele é contra as demarcações das terras indígenas e contra os títulos de propriedade das terras dos quilombolas. Além de ser um defensor do agronegócio.  
Também por conta da sua penúltima filiação partidária, junto ao PSC (Partido Social Cristão) recebeu apoio de parte significativa da bancada evangélica, constituída por conservadores.
Foi a favor de inúmeras propostas contra os mais pobres, feitas pelo governo do presidente Michel Temer, como a PEC 241, que limita os gastos públicos por vinte anos e a Reforma Trabalhista que retira direitos dos trabalhadores. É um ferrenho defensor do capitalismo e anticomunista. Sempre esteve a favor dos opressores (donos do capital, os burgueses) e contra os oprimidos (os mais pobres e as minorias, como negros e índios).
Ainda segundo Jean Carvalho: Bolsonaro: É, em resumo, um arremedo da indignação popular, uma velha figura política que surge como "novidade" e "promessa de restauração".
Seus eleitores parecem desconhecer ou simplesmente ignorar o funcionamento da política nacional, pois os mesmos o consideram como o “salvador da pátria” o “messias” que ditará sem quaisquer impedimentos as soluções necessárias ao Brasil. Se esquecem que sem o apoio do legislativo nenhum governante conseguirá realizar projeto político algum. Se não tiver maioria no Congresso Nacional não há governo possível. E o pior, se não comprar (através da troca de favores, benesses e cargos políticos, inclusive em diretoria de estatais) os deputados e senadores não conseguirá administra o país.
Não é difícil perceber o que foi expresso acima. É só lembrarem-se do processo de impeachment da Dilma e dos dois livramentos que o Temer recebeu dos parlamentares. A presidenta tinha minoria, por isso foi afastada do seu cargo, enquanto Temer com todas as provas óbvias contra si, conseguiu se livrar dos processos criminais, por possuir (e comprar) apoio da maioria dos congressistas. Ou seja, se o “mito” não fizer o jogo que ele próprio conhece muito bem, não governará, caso ganhe a presidência. Só seus eleitores não conhecem as regras do jogo político brasileiro, que por si só, acaba com qualquer messianismo político.  
Um pouco de conhecimento histórico e político acaba com toda a fantasia criada em torno do “mito” Bolsonaro e do messianismo político. Quem vive verá!

  


domingo, 8 de outubro de 2017

Relacionamento e Prioridade (Por Acioli Junior)



Tem coisas que só percebemos com a maturidade ou quando apanhamos muito da vida, ou pior ainda, quando perdemos algo que amamos, ou ainda, quando percebemos que amávamos depois que se foi.
Uma das marcas fundamentais de um relacionamento saudável e que será duradouro é o que denominamos: Prioridade. Uma das definições léxicas desse substantivo feminino que mais gosto é: “condição do que é primeiro em tempo, ordem, dignidade. Ou seja, prioridade é tratar o outro com máxima atenção. É tê-lo como a coisa mais importante do momento. É parar o que se faz para dar ao outro a devida atenção. É atribuir respeito e apreço ao parceiro ou parceira.
Já perdi relacionamentos com pessoas maravilhosas porque na minha imaturidade, egoísmo e inexperiência não dei a devida atenção. Também já perdi relacionamentos, porque só dei prioridade, quando a pessoa que sempre me priorizou cansou de me priorizar, e, portanto, já me tratava como sempre a tratei: com indiferença. Também terminei ou mal comecei outros relacionamentos, porque estava explícita a minha Não-prioridade e igualmente dá minha parceira, então, nesse zero a zero, melhor não começar.
Essas situações descritas acima servem para nos mostrar que entrar num relacionamento sem dar o devido respeito ao outro e sem priorizar a pessoa que se está ou se pretende estar é uma grande perda de tempo, além de somente provocar feridas no outro ou em si. A vida é muito efêmera, transitória e fugaz para a vivermos de qualquer jeito. O ser humano tem dignidade inerente, portanto deve ser tratado da melhor forma possível.
É muito fácil percebermos num relacionamento se somos ou damos prioridade. O egoísmo (pensar em si, não no casal) é uma marca singular da falta de prioridade, responder mensagens (de texto, messenger, ou Whatsapp) meia hora ou dez minutos depois estando online, é exemplo claro que não priorizamos ou não somos priorizados, pois quem o é, receberá respostas instantânea, ou quando muito uma desculpa que se está ocupado no momento, mas nunca ficará a ver navios esperando a boa vontade do outro.
É fácil perceber se somos priorizados. Ou quando deixamos de ter a prioridade do outro, mas fácil ainda, é sabermos e, por isso fingirmos que damos algo que sabemos que não damos, ou não devolvemos a altura o que nos é dado.
Eu sei que diante de um mundo virtual com tantas ofertas para alguns, é extremamente difícil priorizarmos e sermos priorizados de fato. É muito mais fácil errarmos do que acertarmos num relacionamento no contexto social atual.
Mas uma coisa é sabido, não será em boates, “festinhas” e sites de relacionamentos que você encontrará alguém disposto a te priorizar. Se até nas igrejas e templos religiosos é difícil encontrar, piorou em baladas e sites de pegação.
Bom seria que cada uma pessoa fizesse uma reflexão e um introspecção sobre o que fez e tem feito da sua vida e de seus relacionamentos.
Fica quatro conselhos: primeiro, se você encontrou alguém que o priorize e você gosta dessa pessoa, aproveita essa oportunidade de ter uma vida maravilhosa, pois você acertou na Mega-sena da vida. Não dê lugar a estupidez e ao egoísmo que é inerente a vida humana, e jogue tudo a perder. Pode ser que nunca mais encontre alguém que o tenha como prioridade. Segundo, se você não é tratado com prioridade e percebe que não será tratado, não continue a dar socos em pontas de facas, termine o relacionamento enquanto antes, pois quanto mais duradouro maior serão suas feridas.  Terceiro, se você não trata com prioridade e sabe que nunca irá tratar, deixe a pessoa seguir sua vida, pelo menos ela pode encontrar alguém que a trate melhor que você e tem uma chance concreta de ser feliz. Quarto, se não quer tratar com prioridade, pois você ainda está no playground da vida, na era da curtição, abra o jogo e seja sincero, diga que quer é curti o momento, assim você não iludirá o outro e ela ficará sabendo das suas reais pretensões.
Seja alguém que viva dentro de dois conceitos humanos fundamentais: Sinceridade e Transparência. A vida e o outro agradecem!!