CURIOSIDADES

visitantes

contador de acesso

domingo, 28 de agosto de 2022

Qual a maneira correta de votar para parlamentares e vereadores?

 


Estamos vivendo tempos sombrios na política nacional. Temos a polarização nefasta que toma conta do país dividindo-o de um lado e, do outro, observamos o culto e a adoração a velhos cacifes políticos, especialmente aqueles que pleiteiam cargos do poder executivo (presidente da República, governadores de Estado e prefeitos). 

O povo brasileiro tem uma velha tradição de tão somente valorizar e fazer campanhas entusiásticas para cargos eletivos do executivo, além do fato de que pesquisas já comprovaram que as pessoas esquecem para quem votaram tanto para deputado federal, como para senador da República, com enorme facilidade, deixando nítido a desatenção com os parlamentares[1] e com o poder legislativo como um todo.

Essa menor importância os eleitores dão aos vereadores, em âmbito municipal, aos deputados estaduais e distritais, em âmbito estadual/regional e, aos deputados federais e senadores, em âmbito federal, infelizmente é histórico e notório. As pessoas mal sabem a função desses cargos. Poucos sabem que eles devem fiscalizar o poder executivo, como propor Comissão Parlamentar de Inquéritos (CPI) e o processo de impeachment do chefe do poder executivo, como também elaboram projetos de lei, que afetam diretamente toda a coletividade. O bem-estar pessoal e da nação como um todo perpassam pelas decisões das Câmaras Municipais, das Assembleias Estaduais e do Congresso Nacional[2].

Sabendo-se da relevância do Poder Legislativo, como deveríamos votar para eleger os vereadores e os nossos parlamentares?

Em primeiro lugar, deveríamos votar em vereadores do nosso bairro porque, ao fazê-lo, estaremos elegendo uma pessoa que mora próximo e seria quem podemos recorrer e cobrar o bom funcionamento dos serviços públicos que ocorrem em nossa localidade, como escolas, postos de saúde, praças públicas e creches, por exemplo.

O mesmo ocorre com os parlamentares. Devemos votar em deputados estaduais e federais da nossa cidade. Assim sendo, o estadual eleito irá pleitear junto ao governador serviços públicos para o nosso município, ao invés de lutar por uma outra cidade. Isso não é egoísmo, é sabedoria, pois, infelizmente no meio político prevalece a máxima “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Portanto, devemos eleger parlamentares que são nossos conterrâneos, que conhecemos, que moram próximos de nossas residências para, assim, vermos os serviços que tanto ansiamos e precisamos para a nossa comunidade, de fato acontecerem. Já os deputados federais podem trazer verbas da União para o município ou mesmo recursos das financeiros oriundos das famigeradas emendas parlamentares.

A outra razão fundamental de como eleger vereadores e parlamentares é votar em quem faz parte do mesmo grupo político e apoia o nosso candidato ao poder executivo. Traduzindo, não adianta votar em Lula para presidente e num deputado federal e senador bolsonarista; muito menos, votar em Bolsonaro para presidente e em parlamentares ciristas[3] ou petistas; também não adianta votar em Claudio Castro para governador e deputado estadual, que são da base da candidatura do Marcelo Freixo, seu adversário político; nem votar em José Bonifácio para prefeito de Cabo Frio, minha cidade, e em vereador da bancada de doutor Serginho e vice-versa. Devemos, portanto, sempre votar em parlamentares e vereadores alinhados com o nosso voto ao chefe do executivo municipal, estadual e federal.

A penúltima razão para eleger candidatos do poder legislativo é estar de acordo com seu projeto parlamentar, com suas propostas legislativas e ter uma afinidade e concordância ideológica com os candidatos. Questione os aspirantes a cargos públicos sobre suas propostas e veja se as mesmas são exequíveis ou não.

A última e fundamental razão, tão importante quanto às demais é votar em alguém que representa a sua classe social e os anseios e lutas dos seus pares, ou seja, a classe trabalhadora tem que parar de eleger aqueles que defendem tão somente ou, exclusivamente, os empresários, muita das vezes sendo favoráveis à perda de diretos trabalhistas e previdenciários do trabalhador; menos ainda, devemos eleger ruralistas e madeireiros, sendo nós defensores do Meio Ambiente. Da mesma forma que negros e índios não devem votar em quem são contrários aos direitos constitucionais das nações indígenas e dos quilombolas, como o direito à demarcação e da posse das suas terras, só para citar um exemplo. Vote em quem têm compromissos e vai lutar pelos anseios da sua classe social e do seu grupo.   

Não devemos esquecer jamais que, numa democracia representativa, na qual elegemos nossos representantes legais, o voto exerce o poder de uma procuração, pois estamos passando por meio dele o poder para outros nos representarem.  Votamos em cargos do executivo para governar e gerir o nosso município, estado e nação. Da mesma forma que vereadores e parlamentares fazem leis em nosso lugar. Portanto, a nossa responsabilidade, enquanto cidadãos, é enorme nesse sistema político.

Devemos votar com responsabilidade sempre almejando o bem comum. A coletividade precisa se sobrepor aos interesses pessoais, assim como devemos denunciar a compra de votos e o recebimento de qualquer benesse dos candidatos como moeda de troca para convencer eleitores. Um cidadão consciente não está à venda e não negocia seus valores por benefícios em período eleitoral. 



[1][1] O parlamentar é um membro de um parlamento, o qual exerce o poder legislativo. Em um sistema bicameral, os parlamentares são geralmente divididos em deputados e senadores.

[2] O Congresso Nacional é o órgão constitucional que exerce, no âmbito federal, as funções do poder legislativo, quais sejam, elaborar/aprovar leis e fiscalizar o Estado brasileiro (suas duas funções típicas), bem como administrar e julgar (funções atípicas). O Congresso é bicameral, logo composto por duas Casas: o Senado Federal (integrado por 81 senadores, que representam as 27 unidades federativas (os 26 estados e o Distrito Federal) e a Câmara dos Deputados (integrada por 513 deputados federais, que representam o povo). O sistema bicameral foi adotado em razão da forma de Estado instalada no País (federação), buscando equilibrar o peso político das unidades federativas.

 

[3] Que são do PDT, ou apoiam a candidatura de Ciro Gomes.

domingo, 14 de agosto de 2022

Os Milagres do período eleitoral

 

No período eleitoral ocorrem inúmeros milagres. Vamos a alguns deles:

Ao lado de pastores das Assembleias de Deus e do pastor Cláudio Duarte, Jair Bolsonaro, que não é evangélico, mas católico declarado, tomou a "Santa Ceia". Interessante que, enquanto os crentes são aterrorizados para não participar da Eucaristia, indignamente, pois serão réus do fogo do inferno, políticos podem tomar, livremente, e com a benção da classe sacerdotal corrupta, desde que mantenham às benesses costumeiras aos mercenários da fé e vendilhões do templo.

Outro grande "milagre", às custas do sacrifício dos Estados, foi a queda do preço da gasolina. Os combustíveis ficaram subindo durante três anos e seis meses do governo Bolsonaro com valores na estratosfera, mas, agora, há exatos três meses antes da eleição, vem baixando e, a cada pesquisa que sai com Lula liderando, faz com que o "milagre" da queda do preço se acentue. Como não conseguiu baixar o diesel, outro grande milagre aconteceu: até o final do ano, pós-eleição, os caminhoneiros receberão R$ 1.000,00 mensais. Quem é maduro e entende, o mínimo, sobre política, sabe que, depois da eleição, esses milagres perdem o efeito e só Deus sabe o custo deles ao país e para quanto irão subir os preços dos combustíveis, que estão, milagrosamente, congelados ou caindo, acentuadamente.

Taxistas, que nada tem a ver com os preços do diesel, pois abastecem seus carros com gasolina, etanol e, especialmente, GNV, também foram agraciados com o milagre do Mito: irão, também, receber a quantia milagrosa de R$ 600,00 até o final do ano. Traduzindo, até o final do pleito eleitoral.

Outro grande milagre do governo Bolsonaro e dos seus aliados foi o fato do governo ser contra o Piso Nacional da Enfermagem e fazer campanha contra o Projeto de Lei (PL) do senador Fabiano Cantarato. Inclusive, Eduardo Bolsonaro votou contra a aprovação do Piso na Câmara, até gravou vídeo justificando seu voto contrário. Mas, após a aprovação do Piso pelo Congresso Nacional, Bolsonaro sanciona vetando o reajuste anual com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), mas faz propaganda Fake News e eleitoreira, fingindo que sempre foi favorável ao Piso da Categoria. O milagre, nesse caso, é dizer e criar uma narrativa que seria favorável ao que ele e seus aliados foram (e são) contrários.

Cláudio Castro, discípulo do milagroso Mito, Bolsonaro, também tem feito grandes milagres. Depois de três anos e seis meses de estradas esburacadas em todo o Estado e municípios do Rio de Janeiro, todas as cidades, sem exceção, nos últimos quatro meses estão recebendo a "Graça" milagrosa do asfaltamento. Até na zona rural dos municípios o milagre tem ocorrido intensamente.

Mas, não para por aí. Cláudio Castro conseguiu, milagrosamente e de maneira fantástica, colocar mais de 18 mil pessoas para trabalhar no Estado do Rio de Janeiro, através de contratação temporária, em cargos de confiança e como fantasmas, aumentando a folha salarial mensal em 288 milhões de Reais. Mesmo a Justiça ordenando que o governador acabe com os cargos secretos, dificilmente esse "milagre" vai deixar de ocorrer no período eleitoral.

Nossos políticos são artistas e milagreiros. Uma pena que seus "milagres", a favor da população, só ocorram no período eleitoral. São quase quatro anos sem fazer nada significativo e relevante ao povo. Muitas vezes, retirando direitos duramente conquistados. Mas, nos seis últimos meses de mandato – três antes do pleito eleitoral – os milagres começam a emergir.

Acorda povo! Não caia na lábia desses escroques e Messias de última hora!









sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Padres também são mercenários da fé

 


Muitos já se acostumaram com minhas postagens criticando, de maneira ácida, os pastores mercenários, politiqueiros e 171 da fé, como Edir Macedo, Silas Malafaia, RR Soares, Valdemiro Santiago, José Wellington, Estevam Hernandes e dezenas de outros espertalhões da fé.

Também tenho postagens criticando padres pedófilos, pároco que tinha caso com o homem que ele próprio fez o casamento, também sobre os casos sexuais divulgados pelo famoso clérigo Robson de Goiás, que desviou mais de 2 bilhões da Igreja Católica e foi descoberto, virando caso de polícia no estado e muitos outros escândalos católicos envolvendo a história escravocrata do catolicismo romano, sua nefasta participação na política. Mas, nunca escrevi sobre os mercenários da fé de batina e o absurdo que cobram para divulgar a "palavra".

Mas, saiu ontem, na coluna do Leo Dias, no Metrópoles, os valores dos cachês dos clérigos católicos mais famosos do Brasil. Cabe, também, ressaltar que esses valores cobrados mudam de acordo com o calendário litúrgico da Igreja, como Dia da Padroeira, Finados, Natal, Corpus Christi, dentre outros.

Vamos aos valores:

"Padre Marcelo Rossi, por exemplo, por muitos anos não cobrou para evangelizar. Sobretudo, ele é o nome que revolucionou o formato show-missa e já chegou a reunir cerca de 2,4 milhões de pessoas num mesmo espaço, no autódromo de Interlagos, em São Paulo, para ouvir suas músicas e conhecer a palavra de Deus."

Na mesma linha de Rossi estão Reginaldo Manzotti e o padre Antônio Maria que, também, assumem compromissos na TV e no rádio. Ambos os sacerdotes dizem que não cobram para fazer shows em paróquias ou entidades sociais. Em contrapartida, quando o contratante é um órgão privado ou prefeituras, cobram cachês.

Ainda segundo Dias, "Fábio de Melo – um dos mais populares sacerdotes brasileiros – hoje de contrato assinado para participações do Domingão com Huck, cobra cerca de R$ 120 mil Reais para evangelizar; valor que supera, com larga vantagem, alguns nomes da Música Popular Brasileira".

Outra estrela do catolicismo popular e do sertanejo, o padre Alessandro Campos, transmite a palavra sagrada por meio do estilo musical há 11 anos, sempre vestido com chapéu de cowboy e bota. "Atualmente, um show dele custa R$ 135 mil Reais."

"Juarez de Castro: também popularizado nas emissoras de TV e rádio, além de ter sido indicado ao Grammy Latino, padre Juarez afirma não cobrar para evangelizar. Mas, quando se trata de órgão privado, seu cachê chega a ser de R$ 60 mil Reais."

O famoso padre Antônio Maria: seu cachê para prefeituras e eventos privados gira em torno de R$ 60 mil Reais. A informação foi confirmada pela assessoria à coluna do Léo Dias.

Por último, o padre Patrick Fernandes, muito famoso nas redes sociais, "as publicidades do sacerdote de 5 milhões de seguidores e que ganhou projeção ao responder seguidores de maneira bem-humorada, custam entre R$ 10 e R$ 15 mil Reais. Sua presença para eventos custa, em média, R$ 25 mil Reais."

Nunca foi tão fácil ganhar dinheiro em nome de Deus, de Jesus e da fé alheia. Mas, isso não é uma marca do catolicismo e dos evangélicos, mas da religião como um todo e da casta sacerdotal que, historicamente, sempre foi um grupo de privilegiados que vivem do dinheiro e das benesses do público que exploram e prestam serviços espirituais, em todos os tempos, lugares e povos, sem exceção.

Deixo para meditação final os textos de 1 Pedro 2:3, que diz: "Também, movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão de vós negócio; a condenação dos quais já de largo tempo não tarda e a sua destruição não dormita."

Marcos 10:8: "Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça daí."

            1 TM 6:10: "pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos."

 


quarta-feira, 13 de julho de 2022

A neutralidade política das Testemunhas de Jeová e o envolvimento partidário de algumas religiões cristãs

 


As Testemunhas de Jeová fazem parte de um grupo religioso apolítico, ou seja, neutro em relação à política partidária, às ideologias políticas e a qualquer candidato a cargos públicos.

Elas são neutras em assuntos políticos por causa de seus dogmas religiosos, baseados em interpretações de diversas passagens bíblicas, em especial, do Novo Testamento. Elas não votam em candidatos ou partidos políticos, não concorrem a cargos políticos e não participam de nenhuma ação para influenciar ou mudar governos. Acreditam que a Bíblia dá bons motivos para serem neutras.

Essas são algumas justificativas dadas pela Torre de Vigia[1] para as Testemunhas de Jeová se manterem em neutralidade política:

 

“Seguimos o exemplo de Jesus, que se recusou a aceitar um cargo político. (João 6:15) Ele ensinou que seus discípulos não deveriam ‘fazer parte do mundo’ e deixou claro que eles não deveriam se envolver em assuntos políticos. — João 17:14, 16; 18:36; Marcos 12:13-17.

Somos representantes do Reino de Deus e temos a obrigação de anunciar a sua chegada. Por isso, somos neutros nos assuntos políticos de todos os países, incluindo o país onde moramos. — 2 Coríntios 5:20; Efésios 6:20.

Por permanecermos neutros, podemos falar as boas novas do Reino de Deus com todas as pessoas, não importa a ideologia política que tenham. Tentamos mostrar por palavras e ações que confiamos no Reino de Deus para resolver os problemas do mundo. — Salmo 56:11.

Como não há divisão política entre nós, estamos unidos em uma fraternidade mundial. (Colossenses 3:14; 1 Pedro 2:17) Por outro lado, religiões que se intrometem na política causam divisão entre seus adeptos. — 1 Coríntios 1:10”.

 

Assim sendo, em países em que o voto é facultativo, como nos Estados Unidos, por exemplo, normalmente, as Testemunhas de Jeová não comparecem para participar do pleito eleitoral. No caso de países como o Brasil que, em regra[2], o voto é obrigatório, elas comparecem. Todavia, votam branco ou nulo, demonstrando assim, serem neutras no que tange ao processo eleitoral.

Elas só comparecem às urnas no Brasil, mesmo sendo neutras, porque o voto é obrigatório; se não aparecerem receberão sanções legais como, por exemplo, deixam de participar em concursos públicos, ou melhor, não podem tomar posse como servidores públicos, não podem obter empréstimos em bancos públicos ou sociedade de economia mista, etc.

Embora não se envolvam com política, as Testemunhas de Jeová respeitam as autoridades governamentais dos países, estados e municípios nos quais vivem, tomando como base o conselho do apóstolo Paulo, em Romanos 13:1, que diz: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores.”. Assim como obedecem às leis, pagam impostos e tributos, além de colaborarem com as medidas tomadas pelos governos para o bem-estar de seus cidadãos, não praticam ações que desestabilizem os governos e seguem o conselho bíblico de orar pelos “reis e [por] todos em altos postos”, principalmente quando estes precisam tomar decisões que possam afetar a liberdade de culto. — 1 Timóteo 2:1, 2.

Elas também respeitam o direito de outras religiões e credos, também de qualquer cidadão, quando precisam tomar suas próprias decisões em assuntos políticos. Por exemplo, não lutam contra a realização de eleições ou sua interrupção, nem impedem aqueles que desejam votar.

Mas, por conta de sua postura de neutralidade política e também por não adentrarem no serviço militar foram perseguidos em diversos países, especialmente no período da Segunda Guerra Mundial, na Alemanha nazista. Muitas Testemunhas de Jeová foram implacavelmente perseguidas pelo Terceiro Reich, inclusive lançados em Campos de Concentração.

Essa perseguição ocorreu, principalmente, entre 1933 e 1945, depois de se recusarem a realizar o serviço militar e de se juntarem a organizações nazistas ou manterem alianças com o governo alemão.

“Cerca de 10 mil Testemunhas de Jeová – metade do número de membros na Alemanha durante esse período – foram presas, incluindo 2 mil que foram enviadas para campos de concentração nazistas. Cerca de 600 morreram sob custódia, incluindo 250 que foram executados. Elas foram a primeira denominação cristã banida pelo governo nazista e a mais intensamente perseguida[3]”.

Eu, como historiador, considero as Testemunhas de Jeová muito radicais no que tange à sua neutralidade política e à sua participação cidadã, inclusive, em relação à sua negativa ao alistamento militar.

Mas, por outro lado, considero a neutralidade do grupo infinitamente melhor que os conchavos ordinários e a mistura abjeta que grupos religiosos têm mantido com o poder político[4], tornando-se pedra de tropeço, escândalo para o mundo e escárnio para a sociedade.

Por que estou afirmando isso? Porque enquanto grupos cristãos, especialmente católicos e evangélicos, têm seus nomes na lama e na lata do lixo da história por conta dos seus envolvimentos nefandos com a política partidária e com políticos notoriamente corruptos, as Testemunhas de Jeová passam incólume, não recaindo sobre elas nenhuma acusação, nenhuma suspeita e nenhuma interrogação sob sua conduta no campo político, ou seja, essa neutralidade político-partidária tem evitado muitos problemas éticos, e até criminais, envolvendo membros e líderes da instituição.

No Salão do Reino das Testemunhas de Jeová políticos não têm vez! Não fazem do local de adoração comício eleitoreiro. Não fazem do púlpito palanque político e nem usam da boa-fé dos membros como curral eleitoral. Os anciãos não enriquecem vendendo o voto da membresia nem ganham concessão de emissoras de rádios e TV, passaportes diplomáticos e quaisquer benesses dos políticos, ao contrário do que ocorre em milhares de denominações cristãs Brasil afora.

Enquanto as demais instituições cristãs têm feito o mundo pegar ojeriza e asco do Evangelho, as Testemunhas de Jeová seguem nessa seara sendo respeitada por sua neutralidade e por não terem envolvimento político.

Cabe ao leitor avaliar qual postura é mais correta e sensata: a de neutralidade e imparcialidade das Testemunhas de Jeová ou a da sujeição e envolvimento com a política partidária, inclusive em ardorosos esquemas de corrupção e vantagens indevidas praticadas por parte significativa dos membros e líderes das denominações cristãs que mergulham fundo no lamaçal e no charco de lodo da política nacional.



[1] Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados da Pensilvânia (antigamente denominada no Brasil de "Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados") de acordo com site oficial (jw.org), é a designação pela qual é conhecida a mais antiga das sociedades ou associações jurídicas atualmente usada pela religião cristã Testemunhas de Jeová.

[2] No Brasil o voto é facultativo para os analfabetos, para os eleitores maiores de 16 anos e menores de 18 anos, assim como para pessoas maiores de 70 anos.

[3] Garbe, Detlef (2008). Entre Resistência e Martírio: Testemunhas de Jeová no Terceiro Reich. Madison, Wisconsin: University of Wisconsin Press. págs. 100, 102, 514.

[4] Infelizmente tanto na sociedade e notadamente nas religiões, as pessoas são “8 ou 80”, ficam em um extremo ao outro.

 

segunda-feira, 11 de julho de 2022

As duas maiores forças políticas do Brasil: o antibolsonarismo e o antipetismo


Para as pessoas mal-informadas ou, para aquelas que são incapazes de perceber o cenário político atual ou, ainda, aquelas que caem no jogo ardiloso e desinteligente da polarização, acreditam que as maiores forças políticas do Brasil sejam o lulopetismo e o bolsonarismo. 

Pensar assim é uma demonstração inequívoca de que não se faz a leitura da realidade circundante, não se sabe ler pesquisas eleitorais e que se faz de cego e surdo diante da complexidade do momento atual.

Não, caro amigo. Não se trata de Lula e Bolsonaro, que possuem a primazia no momento político atual, mas a sua negação e oposição: o antipetismo e o antibolsonarismo. 

O fato de ambos estarem à frente nas pesquisas não quer dizer que a população está com eles, mas que, simplesmente, estão os escolhendo pela aversão e rejeição que possuem por cada um dos dois. Eu explico.

Vamos pensar em 2018, na vitória de Jair Bolsonaro. Ele não ganhou às eleições por ser um grande político, até porque ele sempre foi um parlamentar medíocre e falastrão do baixo clero na Câmara; aprovou dois míseros projetos sem qualquer relevância social em 28 anos como parlamentar; não dirigiu, se quer, uma comissão e nunca governou, absolutamente nada. Portanto, não tinha credenciais para ganhar uma eleição presidencial. O que gerou a vitória dele foi o antipetismo, ou seja, esse sentimento ainda espraiado na população de rejeição e aversão ao Partido dos Trabalhadores (PT). A maioria absoluta de quem votou em Bolsonaro não o fez por conta de seus méritos, mas por ódio e ojeriza ao lulopetismo, motivado por inúmeros escândalos de corrupção veiculado pela mídia e insuflado pela Operação Lava Jato, especialmente pelas condenações judiciais dos grandes empresários e políticos de renome aliados ao partido.

É esse mesmo antipetismo, que ainda dá sustentabilidade a Bolsonaro e o mantém em segundo lugar nas sucessivas pesquisas de intenção de votos, além, obviamente, do fanatismo e da cegueira de seus seguidores que, hoje, estão na casa dos 28% dos eleitores brasileiros. Esses que mesmo pagando R$ 9,00 na gasolina ou diesel, R$ 130,00 no botijão de gás e, indo ao supermercado, mesmo estando com R$1.000,00 e, não fazendo uma compra digna e satisfatória, ainda assim consideram (ou fingem) que o governo é maravilhoso. 

As pesquisas eleitorais dos seis principais institutos são claras: a rejeição de Jair Bolsonaro varia de 52% a 61%, enquanto que a de Lula varia de 43% a 47%. Isso é uma inequívoca e incontestável demonstração de que as duas principais forças políticas do Brasil são o antibolsonarismo e o antilulopetismo.

Traduzindo, as pessoas declaram votar em Bolsonaro com medo de Lula, enquanto outras votarão em Lula por pavor de Bolsonaro. O voto está sendo decido pelo medo, ódio, asco e ojeriza a um ou ao outro.

A população está em parte apavorada com a volta de Lula e do PT ao poder, enquanto outra parte está horrorizada com a permanência de Bolsonaro na presidência da República. 

Por conta disso, não conseguem apostar na ascensão de outros candidatos ao poder. Essa é a razão do naufrágio da candidatura do Ciro Gomes e da chamada terceira via. O medo de certo grupo político faz as pessoas somente visualizarem aquele que se mostra como seu principal adversário ou opositor. Assim sendo, pensam a maioria que, para tirar Bolsonaro do poder, a única solução é votar no Lula, enquanto outros pensam que, para o PT e Lula não voltarem ao poder, a única possibilidade é votar no Mito.

Eu, particularmente, não caio nesse jogo de eleger o menos pior. Nunca permitiria que a minha mente seja vassala da mediocridade e da polarização, que só consegue visualizar dois candidatos ou dois grupos políticos num universo diverso de ideias, partidos e perspectivas. Por isso, continuarei rejeitando o petismo e o bolsonarismo. Sim, eu sou um ardoroso antipetista e antibolsonarista. Nenhum dos dois grupos e projetos de poder me representam nem possuem meu respeito e a mínima consideração. Eu rejeito a ambos, tenho asco deles e não comungo com nenhum dos dois grupos.

Seja capaz de enxergar como águia, de se colocar acima do senso comum e da polarização nefanda. Não vote em candidatos extremamente rejeitados e que não possuem nem projeto de poder e nem proposta coerentes e exequíveis.

Democracia não é Teocracia: apontamentos sobre o período pré-eleitoral

 

Em todos os pleitos eleitorais procuro, voluntariamente, definir o que é Democracia e descrever o funcionamento do sistema democrático, em sua forma Direta, como fora criado pelos atenienses na Grécia Antiga, no século V a.C., em sua forma Representativa, que é a mais utilizada no mundo, sendo aquela em que o povo vota e elege seus representantes. Também cito a forma Mista ou Plebiscitária, que é a forma utilizada no Brasil, sendo a junção da Democracia Direta e Representativa. Isso ocorre porque o Artigo 14 da CF/88 prevê o Plebiscito, o Referendo e a Lei de Iniciativa Popular como forma direta e, assim, define a nossa Democracia:

Art. 14. “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos e, nos termos da lei, mediante:

I - plebiscito;

II - referendo;

III - iniciativa popular.”

 O termo Democracia, significa "governo do povo" ou "governo de todos", como bem definiu Abraham Lincoln: "A democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo".

Portanto, sendo a Democracia o governo do povo não cabe, nesse sistema, a utilização do nome de Deus, do Cristo, dos santos, dos orixás e dos entes sobrenaturais para pedir votos, fazer campanhas políticas e, muito menos, comparecer em locais de cultos e adoração às divindades com tal propósito nefando.

 Os entes divinos não são eleitores, não possuem títulos de eleitor, não são filiados a partidos políticos, não são adeptos às ideologias de direita, esquerda ou centro. Ninguém é ou será eleito em seus nomes porque eles, também não são cabos eleitorais, não autorizaram nenhum líder religioso a pedir votos em seus nomes, nem que utilizem a "Casa de Oração" como local de comício. Menos, ainda, que utilizem a membresia como curral eleitoral. 

Usar o nome divino, templos religiosos, shows de música gospel, cultos, procissões ou quermesses com fins políticos-eleitoreiros deveria ser criminalizado, independentemente para quais candidatos ou quaisquer partidos e/ou ideologias fossem.

Lembrando, que o segundo Mandamento, descrito em Êxodo 20, afirma, categoricamente, que Deus não terá por inocente quem usar o seu Santo nome em vão. Que isso sirva de aviso aos politiqueiros e enganadores de plantão!

O que eu estou afirmando e reafirmando é que os ex-presidentes Collor, FHC, Lula, Dilma e Temer, assim como nosso atual presidente, Jair Bolsonaro, foram eleitos pelo voto popular, como outros que os antecederam. O povo os elegeu, embora alguns, no passado, tenham sido eleitos pelo Colégio Eleitoral, como Tancredo Neves, mas nenhum deles conquistou o cargo por nenhuma divindade. Alcançaram seus postos por responsabilidade da população. O povo é o único responsável pelos políticos que elege. 

Portanto, não faça da Democracia, o governo do povo, uma teocracia, o governo divino. 

Não jogue no colo de Deus, do Cristo e dos entes sobrenaturais a nossa responsabilidade, enquanto eleitores e cidadãos. Somos nós que elegemos nossos representantes políticos através do nosso voto direto e secreto.

Não faça de um evento que deveria exaltar a Cristo, como a "Marcha pra Jesus", por exemplo, virar palanque de líderes religiosos inescrupulosos, mercenários da fé e do falso "Messias" que eles, os líderes, gananciosamente, apoiam. Não se esqueça, "Deus não divide sua glória com ninguém" e o papel da igreja é exaltar e adorar a Cristo, não ser serviçal de candidatos a cargos públicos. 

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

sexta-feira, 17 de junho de 2022

 Salve-se quem puder: haverá mais um reajuste dos combustíveis amanhã, dia 17/06/20222

Bolsonaro – o Bobo da Corte –, desesperado por ganhar a eleição, quer baixar o ICMS dos Estados e os impostos federais, forçosamente, mesmo sabendo dos danos que isso causará aos entes federativos, como o colapso dos serviços públicos pagos com o dinheiro desses tributos, enganando aos fanáticos da seita bolsonarista e o povo leigo. Essa atitude vai fazer com que se abaixem os preços dos combustíveis para que, assim, ele vença nas urnas em outubro, mesmo depois de dezenas de aumentos sucessivos, nesses três anos e meio do seu governo.
Mas, a presidência da Petrobrás, colocada pelo governo Bolsonaro, como sócio majoritário e gestor principal da empresa, e seu conselho deliberativo, acertou hoje, quinta-feira (16), em reunião extraordinária, que vai aumentar amanhã, 17/06/2022, os preços do diesel e da gasolina em torno de R$ 0,80.
Enquanto Bolsonaro e sua equipe econômica não forem machos e não tiverem culhão para mudarem a abjeta política de preços da Petrobrás, continuará enganando o gado com discurso hipócrita e demagogo. Assim como Michel Temer fez, em 2016, ao dolarizar o petróleo brasileiro e gerar a gritante carestia. E o presidente atual, por sua vez, sempre culpando os governadores, o PT, Lula, Dilma e os próprios presidentes da empresa que ele mesmo colocou para administrá-la.
Sim, caro leitor, amanhã, os combustíveis subirão mais uma vez, mesmo em meio à votação na Câmara de baixar o ICMS estaduais e os impostos federais – até o final do ano – para, assim, Bolsonaro ter um trunfo na manga para ganhar as eleições. Mas, desta vez, o tiro saiu pela culatra.
Traduzindo, deixe de ser idiota, pare de bajular políticos, de acreditar em atitude demagógica e hipócrita, pois a única maneira da Petrobrás não ter seis vezes mais lucros que todas as petroleiras estatais e privadas do mundo, e não lucrar 44,5 bilhões em 3 meses (último lucro da empresa no trimestre) é alterando sua abjeta e nefasta política de preços (PPI), criada por Michel Temer e mantida por Bolsonaro.
Mais realidade e menos ilusão, gado! Amanhã, eu e você, idiota, iremos pagar mais caro nos combustíveis, enquanto seu mito te engana, seu otário!

Obs.: Texto escrito em 16/06/2022, assim que a Petrobras anunciou que iria reajustar os combustíveis. O reajuste da gasolina foi de 5,2% e do diesel foi de 14,2%. PPI significa Preço de Paridade Internacional