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domingo, 13 de novembro de 2022

O furto do Canhão da Praia do Forte praticado por um professor e um grupo de alunos


"Um pequeno Trecho do Roteiro Ambiental e Patrimonial da Cidade de Cabo Frio. A História de um Canhão do Forte São Mateus que foi furtado, levado a Nova Friburgo e nunca mais voltou."
Durante os anos 1940 e 1950 do século passado, tanto o Forte São Mateus como seu material bélico (os canhões) viviam entregues à própria sorte. Alguns canhões estavam na areia da praia abandonados, corroendo-se e entregues à maresia, por negligência do poder público e da população cabo-friense, todos os dias quando a maré subia as águas do mar submergiam-nos.
Esse era um período em que poucos lugares e pessoas davam o devido valor ao patrimônio cultural, seja ele histórico ou ambiental, tanto da União, dos Estados e dos Municípios.
No ano de 1953, numa segunda-feira, um grupo de 20 alunos com idade em torno de 12 anos, vieram de Nova Friburgo, juntamente com seu professor, passar uns dias de férias na Praia do Forte, em Cabo Frio. Eles eram do Colégio Nova Friburgo da Fundação Getúlio Vargas, o CNV/FGV.
Esse grupo de estudantes e seu professor furtaram um dos canhões que se encontrava na areia da Praia do Forte. Eles esconderam o canhão debaixo de uma grande lona e o levaram para sua escola em Nova Friburgo.
O canhão do Forte São Mateus ficou de 1953 até 1977 no Colégio Nova Friburgo da FGV, ano que ele encerrou as atividades educacionais. Sei que pode parecer “história da Carochinha”, mas a fim de proteger o canhão do abandono, do Campus do Colégio ele foi enviado ao Clube de Regatas Flamengo na Gávea, ficando lá até 1986, isso porque o ex-presidente do Flamengo à época, Márcio Braga, foi um dos alunos que estava naquela excursão que levou o canhão do Forte São Mateus das areais da Praia do Forte.
Só com a eleição do médico Ivo Saldanha ao cargo de prefeito de Cabo Frio, que se iniciou uma campanha para o retorno do canhão do Forte para seu devido lugar. Lembrando que foi Ivo o prefeito que mais realizou tombamentos via Decreto Municipal de quase todos os bens patrimoniais da cidade de Cabo Frio, no ano de 1989, deixando um extraordinário legado de amor e apreço ao patrimônio municipal.
Vários jornais da época se empenharam em narrar a história e de pedir a devolução do bem público cabo-friense, que infelizmente nunca ocorreu.
“Jornal O dia – 24/11/83 -seção de esportes – 23 – Canhão do Forte – Canhão do Forte São Mateus também é atração na Gávea.
- Ivo Saldanha acusa Márcio Braga – peça foi parar na Gávea.
- Contestação – O deputado Márcio Braga contestou a versão de Ivo Saldanha, dizendo...
- Passeata está organizada para dezembro...
O Fluminense – 04/ e 05/12/1983 – seção: Lagos -Repórter Levi de Moura.
- “Comissão Especial” - foi criada uma comissão especial, para apurar o caso do canhão.
- 10/12/1983 – em quase meia página ‘Vereadores querem o Canhão de volta a Cabo Frio e com letras bem maiores: ‘Professor disse que na Gávea está bem guardado’.”
Com a reabertura do Colégio Nova Friburgo em 1986, ficou acordado entre os responsáveis da escola e Márcio Braga, que o canhão retornaria a suas dependências na cidade serrana, e assim aconteceu.
Anos mais tarde, o Museu Histórico de Cabo Frio, no dia 27/10/1999, enviou um ofício ao diretor do Instituto Politécnico do Rio de Janeiro, solicitando a devolução da peça histórica pertencente ao acervo do Forte São Mateus, o que seria feito como arranjos e parte dos festejos dos 500 anos do descobrimento do Brasil (22/04/2000).
Como o ofício foi parar nas mãos de Márcio Braga, que era presidente da associação de ex-alunos, professores e servidores do Colégio Nova Friburgo da FGV, ele, sabiamente, o remeteu ao jurista e ex-aluno do Ginásio, Marcelo Cerqueira.
O eminente jurista argumentou que o canhão era um bem público dominical pertencente à União. E, como bem público, embora abandonado (res derelictare), não pode ser objeto de apropriação... alegou ainda que o Decreto 22785/1993 estabelece a imprescritibilidade dos bens públicos, entre outros argumentos.
Terminou sua argumentação dizendo: “Nessa conformidade, o aludido canhão não pode ser reivindicado pelo Museu Histórico de Cabo Frio. Por se tratar de bem público, somente a União poderá exercer o direito, se aprovada a sua propriedade”.
Cabe ressaltar que o real proprietário do Forte São Mateus e do seu acervo é a União (Governo Federal), pois o Forte São Mateus e todo seu entorno foi tombado pela Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), que tombou o imóvel, o penedo em que se ergue e a ponta da praia, num círculo de quinhentos metros a partir do centro do forte em 30/11/1957. Além é claro, de ele pertencer à cidade de Cabo Frio e a sua população.
Nenhum argumento falacioso como o do jurista, Marcelo Cerqueira, mencionado anteriormente, dá o direito do Ginásio Nova Friburgo, de seus ex-alunos e ao Clube de Regatas Flamengo, nem a ninguém de ter posse de um bem patrimonial pertencente a Cabo Frio e a sua população.
Da mesma forma, nenhuma entidade ou quaisquer pessoas têm o direito de se apropriar de um bem patrimonial pertencente à cidade de Nova Friburgo. O que os alunos e o professor fizeram em 1953 foi uma ação execrável chamada de furto. Com agravante de ser um bem patrimonial, pertencente a toda coletividade e à cidade acima citada.
Lendo sobre a história do ocorrido, impressionou-me dois testemunhos narrados por dois alunos que estavam na excursão de 1953. O primeiro do aluno Robert Gayer que relata que ao contar para o pai ao chegar em casa que “praticamos uma boa ação, resgatamos um canhão do Forte São Mateus e o levamos ao Colégio. Ele continua: Meu pai ficou bravo, nunca o tinha visto fora de si.” “_ O quê? Levaram um canhão que não lhes pertencia e você considera isso uma boa ação? _ Mas pai, o canhão estava largado na areia. Junto com outros, abandonado pela autoridade pública, desprezado pela população local.” Procurava justificar-me diante da fúria de papai.
“_Boa ação seria pegar o canhão e colocar no alto do Forte donde nunca deveria ter sido levado.”
Termina ele: “os meus argumentos não adiantaram, apenas agravava minha situação diante da ameaça de meu pai. Fui prudente em desviar o assunto para outro tema, caso contrário, eu teria levado, até uns tapas, tal era a severidade do velho”.
A outra história que me chamou atenção foi a do ex-aluno e excursionista Jaceck Rafael Chmlieviski, o Jack, o professor Joaquim Trota, ex-professor do Colégio Nova Friburgo e excursionista da fatídica viagem que carregou o canhão, conta-nos que o reencontrou em 2002, na Ilha Porchat, em São Vicente – São Paulo. Nas conversas que ambos tiveram veio à tona o assunto canhão. E Jack lembrou ao professor que ele fora o único aluno a ser contra a retirada da peça bélica das areias da Praia do Forte, não encostou um dedo para o retirar e reclamou inflamadamente do feito o tempo todo. Discutiu com todos os que queriam levá-lo. Como era o único contra, foi feita a vontade da maioria.
O professor disse que depois de muito tempo entendeu por que Jack foi contra tal feito. Era porque o pai dele tinha casa em Cabo Frio e ele não aceitava sua cidade sendo despojada de uma peça que pertencia ao patrimônio cultural do município.
O canhão do Forte São Mateus continua sobre um pedestal de granito, na lateral do prédio da Fundação Getúlio Vargas, no Bairro Parque Cascata. Esse prédio foi construído para se tornar um cassino, mas após a proibição do jogo no Brasil, as instalações tornaram-se o Colégio Nova Friburgo da FVG.
Anos depois de encerrar as atividades suas dependências, foram cedidas a UERJ que instalou no local o Instituto Politécnico. Logo após os desastres de 2011 que ocorreram em decorrência de fortes chuvas na região serrana, a UERJ foi transferida para outra localidade. Até hoje, as instalações estão desativadas, estão tão somente sobre a guarda patrimonial de alguns vigias da instituição.
O Canhão de Cabo Frio desde 1953 repousa fora da sua verdadeira residência, o Forte São Mateus. O poder público municipal não mais se interessou em reaver o patrimônio do município para seu povo e para testemunha de sua história. A população cabo-friense em sua absoluta maioria não conhece essa história e muitos não dão a mínima importância para a história da sua cidade e os bens culturais de seu município.
Espero que este texto possa mais uma vez despertar o poder público, os agentes governamentais, o MPF e a população cabo-friense para lutar por seus bens culturais e pela preservação da sua história.
Notas:
Obs.: 1 As citações que não aparecem numeradas nesse texto foram retiradas do Anuário de Cabo Frio 2013. “Um canhão de Cabo Frio em Nova Friburgo. Autores: Joaquim Trota e Rose Fernandes.
Obs.: 2 SPHAN era uma Autarquia do governo Federal substituído pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (IPHAN).
Obs.: 3 Os cassinos no Brasil foram fechados pelo decreto-lei 9215, de 30 de abril de 1946, do presidente Eurico Gaspar Dutra.

sábado, 12 de novembro de 2022

Dia da Consciência Negra reflexo de luta para as "minorias"


O dia da Consciência Negra começou a ser comemorado no Brasil em 2003, com a implantação da Lei Federal 10.639/03 da qual tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro- brasileira e instituiu o "Dia Nacional da Consciência Negra", no calendário escolar.

Desta maneira, o ensino da cultura afro-brasileira passou a fazer parte do currículo escolar em todo o país. Tanto das escolas públicas como das privadas.

Em alguns estados do país, o Dia da Consciência Negra é feriado como no Rio de Janeiro, Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Também é feriado em quase mil cidades brasileiras.

O dia 20 de novembro foi escolhido por se tratar da morte de Zumbi, líder do Quilombo de Palmares, o maior agrupamento de negros fugidos e alforriados da história. Essa data lembra a luta do negro contra a escravidão. A não aceitação da condição cativa. E o papel do negro como protagonista da sua história. Como aquele que prefere a morte a perda da sua liberdade.

O dia da Consciência Negra tem como finalidade promover a identidade cultural dos negros, designa a percepção histórica e cultural que a população negra tem de si mesmo, afirma sua trajetória de lutas, sua importância na construção da história do Brasil.

Também representa a luta dos negros contra a discriminação racial e a desigualdade social.

A discriminação sentida em todas as áreas, tornou o negro excluído da sociedade, da educação e consequentemente, do mercado de trabalho.

Além disso, o Dia da Consciência Negra tem o intuito de conscientizar a população para a importância dos afrodescendentes na formação social, histórica e cultural de nosso país.

É uma data de afirmação. De valorização. De lembrar os horrores do escravismo. Mas sobretudo, mostra o papel daqueles que lutaram pelo fim da escravidão. Lembra também que o Brasil foi o local que mais recebeu escravos no mundo e foi o último país ocidental a por fim ao trabalho compulsório.

Essa data deve servir a outros grupos como inspiração para que os mesmos reivindiquem e tenha seus direitos assegurados e respeitados. Um povo que conhece a sua história sabe que nenhuma luta é em vão.

E que fique claro: nenhum direito é dado! Sempre são conquistados através de lutas! 



sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Identificando ideologicamente os cacifes da política nacional

 Alguns dos principais nomes da política nacional e suas identificações ideológicas: 

Luiz Inácio Lula da Silva, político de centro ou Social Liberal. Por muitos anos, especialmente, quando iniciou sua carreira política, era de esquerda; passou a centro-esquerda e, ao chegar à presidência, foi se deslocando ao centro. Chamá-lo de comunista ou socialista é de uma ignorância colossal, e assumir o analfabetismo político. Implantar políticas de assistência social, que até ideólogos liberais propuseram em seus artigos e livros, nada tem a ver com comunismo e marxismo. 

Jair Messias Bolsonaro, político de “extrema direita”, pelo menos, no discurso; não na ação política. Ele, por décadas, se posicionou contra às privatizações – que são políticas de direita –, especialmente durante o governo FHC. Agora, no final do seu mandato, notadamente há poucos meses da eleição, implantou inúmeras políticas assistencialistas, ditas de esquerda, que ele mesmo passou a vida inteira criticando, enquanto parlamentar, chamando-as de "Bolsa Esmola". Eu o definiria, muito mais, como um político reacionário com algumas ideias nazifascistas. É o político brasileiro que tem o maior número de seguidores fanáticos capazes de matar e morrer por ele.  

Ciro Gomes, político que já transitou da centro-direita ao centro, chegando à centro-esquerda. É, claramente, um socialdemocrata. Diferentemente de Lula, que às pessoas julgam, equivocadamente, que é de esquerda, o Ciro foi quem apresentou ideias revolucionárias nesse pleito eleitoral, como taxar grandes fortunas e grandes heranças. Ele está à esquerda de Lula.  

Simone Tebet, senadora da República de centro-direita e em clara ascensão política. Extremamente bem articulada, inteligente e defensora do liberalismo econômico e do agronegócio. 

João Amoedo e Romeu Zema, ambos políticos do partido Novo, legítimos representantes da direita. O Novo é o único partido claramente de direita do Brasil. Tem compromissos claros com o liberalismo econômico, com as ideias de estado mínimo, com às privatizações, com a defesa dos banqueiros e dos grandes empresários brasileiros. É a única agremiação partidária que não aceitou o chamado “Fundão Eleitoral”, financiamento público de campanha, sendo mantido por doações de seus membros. Eu os citei nesse texto, pois vislumbro que o Zema será uma grande força política em 2026.

Para saber mais sobre as diferentes ideologias políticas e socioeconômicas indico a leitura do "Dicionário Político" organizado pelo filósofo italiano, Norberto Bobbio.

 


Não foi somente Bolsonaro quem perdeu a eleição

De acordo com o resultado do segundo turno das eleições para presidente do Brasil, perderam Jair Bolsonaro e o bolsonarismo. Este último, uma força política que está muito além da pessoa do presidente da República que, mesmo derrotado, viverá por muito tempo entre nós. 

Também perderam as fakes News, a máquina de mentira e de assassinato de reputação bolsonarista que está viva e atuante com força total desde 2018. 

Foram derrotadas as manipulações através das redes sociais com desinformação em massa, principalmente. 

Derrotado foi, ainda, o uso inescrupuloso e criminoso da máquina estatal e do próprio imposto da população em favor da campanha de Jair Bolsonaro, com mais de 273 bilhões sendo utilizado em auxílios na reta final do pleito eleitoral e na esperança de angariar votos. Até crédito consignado do Auxílio Brasil foi criado a menos de 15 das eleições. 

Derrotadas e envergonhadas foram as ameaças à Democracia, às instituições democráticas, à Justiça Eleitoral e a tentativa de refundar um novo AI-5. 

Perdeu a TV Estatal Jovem Pan e outras dezenas de blogs que trabalhavam, diuturnamente, para exaltar Bolsonaro, aumentar seus feitos presidenciáveis, ludibriar a sociedade e manchar a reputação dos seus adversários políticos.   

Derrotados e humilhados foram os líderes religiosos manipuladores, ameaçadores, sem escrúpulos, que usaram os púlpitos das igrejas de forma jamais vista, com ameaças aos fiéis, impedindo membros de participarem da santa ceia, com pregação sobre Bolsonaro e contra o PT e a “esquerda”, no altar, fazendo sinais de arminhas em cultos e louvando Jair Bolsonaro e atacando Lula, no período de louvor. 

Derrotados foram o negacionismo, a anticiência, a ojeriza à cultura, o ódio à educação e aos professores. 

Derrotadas foram as discriminações, o racismo estrutural, a homofobia e o preconceito de origem contra nordestinos, a xenofobia.   

Perderam os madeireiros ilegais, garimpeiros, invasores de terras indígenas demarcadas e aqueles que não respeitam a causa socioambiental.

Perderam aqueles que odeiam os pobres, que acham normal um punhado de gente com muito dinheiro e vivendo no luxo, enquanto a maioria absoluta vive de migalhas e próximo à miséria. 

Perderam também os patrões e grandes empresários que, de forma abjeta e criminosa, ameaçaram seus funcionários e quiseram comprar os votos deles a favor de Bolsonaro. 

Derrotados e perdedores foram Jair Bolsonaro e todos aqueles que corroboram seu modo de pensar, agir e suas falas abjetas e discriminatórias.  

Venceu a Democracia, a pluralidade cultural, a diversidade, o Estado Laico, a igualdade de oportunidade. Venceram as instituições que estavam sobre ameaça, os pobres, os nordestinos, as mulheres e o povo brasileiro, sofrido! 

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

A igreja de “Satanaro” e os profetas satanarianos

 Antes de analisar os líderes religiosos, servos de Satanaro, e a igreja do falso Messias, eu preciso fazer um apontamento realístico e necessário: antes mesmo da ascensão de Jair Bolsonaro e do chamado “bolsonarismo”, parte substancial da igreja evangélica, em especial as chamadas pentecostais, como inúmeros ministérios das Assembleias de Deus e as denominações neopentecostais, tais como IURD, Mundial, Igreja da Graça, Plenitude do Trono de Deus e centenas de outras, já viviam na politicagem, apoiando candidatos de distinto viés ideológico no Brasil todo, como também, os ex-presidentes da República, assim como se beneficiavam das benesses dos políticos, como concessão de rádios, empresas de TV, passaporte diplomático, isenção de impostos e ganho de muito dinheiro, além, é claro, de empregos como funcionários fantasmas e cargos de confiança, tanto em prefeituras, como nos Estados e na União. Bolsonaro só acentuou, vertiginosamente, a politicagem há décadas praticada no seio dessas instituições, além de ter arrastado igrejas que se gabavam de uma suposta neutralidade e imparcialidade política, como a Batista (tradicional) e as igrejas históricas, como a Presbiteriana.

Dito isto, para ser justo e honesto, passo a analisar a igreja de Satanaro e seus líderes.

Os líderes da igreja de Satanaro, ou se preferir do Bolsofera, são aqueles que fazem cultos, procissões, missas e grandes eventos, como a “Marcha pra Jesus”, com fins políticos-eleitoreiros, com direito a “sinal de arminha” no culto e discursos inflamados para exaltar seu deus-mito. Ademais, até o batismo do falso Messias no Rio Jordão, em Israel, feito pelo pastor, atualmente presidiário, Everaldo, ouviu-se gritos de “mito, mito, mito”, blasfemando o sacramento do batismo cristão.

Pastores de Satanaro estão ameaçando os crentes de exclusão do rol de membros da igreja, caso não votem no mito. Outros líderes estão proibindo a santa ceia (eucaristia) para quem votar em candidatos da “esquerda”, além da ameaça do fogo do inferno para os irmãos “esquerdistas”. Algumas instituições religiosas satanarianas, criaram uma espécie de ‘Tribunal do Santo Ofício” para averiguar a conduta de pastores e ovelhas, não adeptas ao bolsonarismo, ou seja, para esses líderes, Deus e Jesus são de Direita e isso é pregado em milhares de sermões de maneira explícita nos púlpitos das igrejas do Bolsofera. Inclusive, há dezenas de vídeos disponíveis com tais conteúdos nas redes sociais.

Por conta de discursos extremistas proferidos por pastores satanarianos contra a “esquerda” e o suposto comunismo que querem implantar no Brasil, além da exaltação do falso Messias Satanaro, fez com que um membro fosse baleado dentro da Igreja Congregação Cristã do Brasil, num culto em Goiânia, por um policial bolsonarista.

Na igreja de Satanaro esqueceram que Jesus ordenou que amássemos uns aos outros. Atualmente, só “amam” quem pensa igual e aqueles que corroboram o discurso do Mito. Se você pensa diferente ou critica as ações bolsonaristas e a postura do presidente é visto como comunista e desviado.

Na igreja do Bolsofera prevalece a máxima do “bandido bom é bandido morto”, sem a menor misericórdia, mesmo tendo consciência que Cristo, nos Evangelhos, perdoou um criminoso e lhe prometeu o paraíso. Parece que esqueceram, também, que a igreja tem um lindo histórico de assistência aos presidiários e evangelização dos malfeitores.

Líderes religiosos a serviço de Satanaro, estão pregando o armamento dos fiéis, justificando as falas de Bolsonaro sobre o uso indiscriminado de armas de fogo pela população. Estão inventando que Jesus é a favor do belicismo e que se o mesmo vivesse hoje andaria armado ou estaria munido numa guerra. Esqueceram que Jesus é o Príncipe da Paz e condena todo o tipo de violência.

Mas, na igreja blasfema satanariana, o pastor fez rifa de uma espingarda calibre 12, no Espírito Santo. Ungiram com óleo ungindo armamentos de grosso calibre num culto em meio a orações e gritos de aleluia. Pastores e instituições que outrora condenavam o armamento populacional, como o próprio profeta de Satanaro, Silas Malafaia, e os líderes presbiterianos, agora, defendem inescrupulosamente o que há pouco tempo condenavam com veemência.

Os profetas de Satanaro promovem discurso de ódio e violência em suas homilias. Mentem, caluniam, difamam pessoas e políticos de viés ideológico distinto do falso Messias. Amedrontam e ameaçam os fiéis, a ponto de Edir Macedo, dono da IURD, escrever uma carta dizendo o porquê que um cristão não pode ser de “esquerda”. Ele só esqueceu que ele mesmo ficou por 14 anos apoiando os governos petistas e que seu sobrinho e bispo Marcelo Crivella foi ministro da Pesca do governo Dilma, em 2012.

Não podemos esquecer que há vídeos tanto de pastores, como de padres bolsonaristas, profetas de Satanaro, mentindo sobre as vacinas, divulgando mensagens falsas, dizendo que vacinas continham o vírus HIV e provocavam câncer. Um padre teve a desfaçatez de dizer que os imunizantes eram feitos de fetos abortados. São os porta-vozes da política genocida do falso Messias.

A igreja satanariana se orgulha de ser homofóbica, de reproduzir estereótipos e preconceitos contra minorias e mulheres. Os templos deixaram de ser hospitais e locais de afago e acolhimento: tornaram-se lugares de exclusão, daqueles que se julgam com pedigree religioso, os fariseus dos períodos bíblicos, chamados hoje de cidadãos de bem.

Uma das situações mais tristes e vexaminosas da igreja do Satanaro e seus líderes inescrupulosos, é a promoção horrenda da idolatria. Sem vergonha, pudor e disfarce, chamam Bolsonaro de Mito, inclusive em cultos e dentro de templos; acreditam, piamente, que Bolsonaro é um “Messias”, o salvador da pátria enviado por Deus para salvar o Brasil.

Nas igrejas Assembleia de Deus, em diversos cultos, como o ocorrido em templos nas cidades de Araruama e Rio Bonito, no Rio de Janeiro, pararam a festividade e os louvores a Deus, colocaram Jair Bolsonaro num telão, ao vivo, falando com a congregação e fazendo politicagem. Esses líderes inescrupulosos esqueceram-se de que Deus não divide a glória Dele com ninguém, além do fato de que ninguém brinca com sua santidade.

Nunca, em nossa história política, se usou tanto o nome de Deus, de maneira tão aviltante e blasfema. Nunca pastores e padres se subjugaram a um político de forma tão idolátrica e fanática. Nunca se manipulou e mentiu tanto em nome de um projeto nefasto de poder.

A Igreja de Satanaro e seus profetas precisam, urgentemente, se converterem a Cristo, se arrependerem de seus maus caminhos e voltarem ao primeiro amor. Eles devem se preocupar em espalhar as boas novas da salvação, abrindo mão da perniciosa e enganosa pregação política. Os cristãos de hoje ficam horas nas redes sociais, diariamente, promovendo o falso Messias, com entusiasmo jamais visto. Nunca falaram de Jesus de maneira tão apaixonada e vigorosa como falam de Bolsonaro. Até de mentira se utilizam para convencer pessoas à causa bolsonarista.

A igreja e seus líderes há muito deixaram de ser sal da terra e luz do mundo; tornaram-se trapos de imundícia. A mensagem que pregam é política, terrena, humana, vil e mesquinha. Não olham mais para o alto e nem contemplam a Cristo, cujo reino não é deste mundo.




Entre o essencial e o banal nas discussões e nos debates políticos

A campanha política e os debates entre candidatos deveriam discutir o essencial: economia, saúde, educação, saneamento básico, combater o desemprego, melhorar a segurança pública, etc. Porém, o que se discute, infelizmente, são banalidades e as medíocres pautas religiosas e morais, tais como: o aborto, que já é legalizado no Brasil e sumulado pelo STF e STJ; a mentira da liberação das drogas – coisa que não existe em nenhum país do mundo, uma vez que ninguém nunca irá propor liberar ou legalizar cocaína, crack, heroína e LSD, só para citar alguns exemplos. Também discutem se o Brasil vai se tornar comunista ou socialista ou, ainda, uma possível conversão numa Venezuela: assunto que só os analfabetos políticos e pessoas sem o menor conhecimento argumentam, pois nosso país é e sempre foi capitalista. Aliás, essas pautas nunca sequer foram discutidas ou formuladas nos 13 anos do governo petista.

Outra questão que se debate é se as igrejas e os cultos serão proibidos no Brasil. Tais pessoas que discutem isso ou utilizam essa informação errada para enganar uma massa ignorante e manipulada se esqueceram, fingem ou não sabem o que é um Estado Laico, que é neutro em relação à religião e à fé do seu povo. O Brasil adotou esse modo de Estado desde 1890, o ratificando na primeira Constituição Republicana, de 1891, como também foi adotado pelas demais Cartas Magmas e pela atual Constituição da República Federativa do Brasil, que está em vigor desde 1988. 

Explicando melhor, o Estado Laico é aquele que não proíbe a manifestação religiosa, não intervém nas religiões, aceita a manifestação de crença e descrença em Deus e é onde o poder político está separado da igreja (religião). Portanto, não há a mínima possibilidade de perseguição a nenhum credo ou culto no Brasil.

Vejo também debates horrendos e discriminatórios sobre a suposta obrigatoriedade de padres e pastores terem de celebrar casamento homossexuais em suas igrejas. Essas discussões também são feitas com base na ignorância da população e do seu uso para angariar votos aos candidatos dos líderes religiosos inescrupulosos e das suas instituições. Discutir isso é um absurdo colossal, pois além de existir a união civil para as pessoas do mesmo sexo, baseado na obtenção de herança e divisões de bens, esta só deve ser feita pelos cartórios brasileiros, por se tratar de uma "união civil", não casamento religioso, como nos informa o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), desde 2013. Além do mais, se ninguém é obrigado a se casar também ninguém pode ser obrigado a realizar casamento de quaisquer pessoas. Portanto, líderes e suas instituições são livres para decidirem ou não fazerem o casamento de quem eles bem entenderem ou tão-somente realizar de membros das suas instituições. 

Enquanto o país não discutir o essencial, seus grandes problemas e aquilo que importa na vida de todos os brasileiros, nunca cresceremos como povo e nação, além de ficarmos reféns de políticos sem projetos e planos de governo que melhorem a vida dos cidadãos, sendo, ainda, assessorados e apoiados por líderes religiosos picaretas e inescrupulosos que negociam os votos de sua membresia em troca de benesses.


Notas: 


No direito brasileiro, chama-se súmula um verbete que registra a interpretação pacífica ou majoritária adotada por um Tribunal a respeito de um tema específico, a partir do julgamento de diversos casos análogos, com a dupla finalidade de tornar pública a jurisprudência para a sociedade bem como de promover a uniformidade entre as decisões. 

O Comércio da fé: uma visita ao templo religioso mais importante do Brasil

 Ontem, eu visitei o principal templo religioso do Brasil, motivado por uma visita técnica de final de curso.  Foi estarrecedor ver, observar e constatar, empiricamente, aquilo que eu já sabia e denunciava: o comércio inescrupuloso, asqueroso e abjeto da fé.

Na Basílica, tudo tinha fins comerciais. Simplesmente, tudo. Desde a caríssima entrada do estacionamento do magnífico templo até as inúmeras lojas comerciais de artigos religiosos espalhadas sobre a vasta área construída, além de dezenas de pontos de arrecadação de ofertas.

O famoso Santuário nada mais é que uma máquina de fazer dinheiro. Percebe-se, claramente, como a religião é e sempre foi um grande negócio. A arrecadação no local gera milhões e milhões de Reais, diariamente, e de muitos bilhões, anualmente.

Quatro constatações claras: a primeira é que a religião cristã não tem nada a ver com Jesus, absolutamente. É a sua antítese e a sua negação. As contradições com a mensagem e vida do Cristo chegam a ser estarrecedoras. Não perceber a gigantesca incoerência é uma prova inequívoca de analfabetismo bíblico e histórico ou de cegueira religiosa.

Numa segunda constatação, fica claro que a religião se baseia na tradição cultural e familiar de um povo repassada de geração em geração, como também da ignorância e do fanatismo misturado com crendices, misticismo e muita idolatria.  

Entre as bugigangas e objetos religiosos comercializados ao redor do templo, se encontravam velas gigantes para queimá-las na “Capela das Velas”, garrafas de "água benta", milhares de estatuetas da padroeira com diferentes tamanhos e valores, parte do corpo humano feito em cera para ser levado à "Sala de Promessas" da Basílica, como cabeça, perna, pé, etc., além de terços, cordões e uma infinidade de produtos do mercado da fé. Parecia um megamercado com infindos produtos sendo comercializados, com as bençãos da classe sacerdotal e da igreja.

Como terceira constatação, o comércio religioso é formidável! Magnífico! Nunca vai acabar! A espoliação de pessoas das mais distintas classes sociais, gênero e idade vai prevalecer por milênios. Como bem disse Ed René Kivitz, "negociar a religião é melhor que vender drogas", até porque não há risco algum de ser preso e é muito fácil enganar em nome de Deus, com roupas sacerdotais e com a ilusão que determinados seres humanos possam ser porta-vozes da divindade, do Cristo ou de quaisquer entidades, ou santos, como Nossa Senhora.

Quarta constatação: como é que alguém estando naquele lugar ou em qualquer outro templo onde há clara e inequívoca exploração comercial da fé pode não perceber ou se atentar para o que ocorre, explicitamente, em seu entorno? A falta de senso crítico, conhecimento básico das escrituras, especialmente dos Evangelhos e Epístolas Paulinas, além de autonomia e sensatez, levam os seres humanos a negarem ou não perceberem o óbvio.

O "de graça recebeste e de graça dai" de Jesus não é praticado por seus supostos representantes na terra, os líderes religiosos e a sua suposta igreja (instituição que se reputa como tendo o monopólio da sua mensagem).

 Mas, como bem nos alertou o apóstolo Pedro, em 2 Pedro 2:3: "E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita."

Já o apóstolo Paulo também nos advertia sobre o mesmo assunto em 1 Timóteo 6:10: "Pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos."

A exploração nefasta da fé, o comércio inescrupuloso feito em nome de Deus, do Cristo, de Nossa Senhora ou de quaisquer divindades devem ser rechaçados, denunciados e vistos como algo vil e ignominioso. O que eu senti, durante as duas horas em que percorri, atentamente, o grande templo religioso, foi: asco, ojeriza e revolta.