São acumuláveis os cargos públicos conforme o Artigo 37, Inciso XVI , CF/88:
Procura-se: Qualquer Falso Profeta que estiver extorquindo as ovelhas. Denuncie aqui.
sábado, 25 de agosto de 2018
A Ironia de coar um mosquito e engolir um camelo: Apontamento sobre a “perseguição” do TCE aos professores que acumulam mais de 2 serviços públicos
São acumuláveis os cargos públicos conforme o Artigo 37, Inciso XVI , CF/88:
sexta-feira, 20 de julho de 2018
Entendendo a Universalidade do Fenômeno Religioso!
Em minhas aulas de Filosofia, Ensino Religioso e nas Formações
que ministro a professores, sempre trabalho com a temática: Religião. Aqui
nesse excerto, venho falar da religião como fenômeno universal. Mas o que seria
isso?
O fenômeno religioso é universal. Em todos os tempos, lugares e
povos encontramos as manifestações religiosas. Nunca houve uma única
civilização ateia. Todos os povos, civilizações e culturas possuem crenças em
Entes Sobrenaturais e Deuses.
O único elemento social que é reproduzido em todos os povos, é o
fenômeno religioso. Obviamente, que esse fenômeno é múltiplo, diverso e muitas
das vezes antagônico e contraditório. Mas a universalidade desse fenômeno é
atestado por várias ciências como a História, a Etnologia, a Antropologia e a
Arqueologia.
Alguns dos grandes pensadores da humanidade asseveram a
universalidade de tal fenômeno, vamos a eles:
Plutarco: “Podereis encontrar uma cidade sem muralhas, sem
ginásio, sem leis, sem cultura de letra, sem uso de moeda como dinheiro, mas
uma cidade sem Deus, sem ritos religiosos, sem sacrifícios, tal nunca se viu.“
João Calvino: “Não há raça tão bárbara, nem tão bruta, que não
esteja impregnada com a convicção de que há um Deus. O senso de divindade está
tão naturalmente gravado no coração humano que até os depravados são forçados a
reconhecê-lo”.
Cícero: "Não existe povo tão bárbaro, tão primitivo, que
não admita a existência de deuses, por mais que se engane sobre a sua
natureza”.
Jung: “Entre todos os meus pacientes com mais de trinta e cinco
anos não há nenhum cujo problema não fosse o da religação religiosa. A raiz da
enfermidade de todos está em ter perdido o que a religião deu a seus crentes,
em todos os tempos; e ninguém está realmente curado enquanto não tiver
atingido, de novo, o seu enfoque religioso”.
Face ao exposto, cabe a pergunta: Quais as razões (motivos) para
a universalidade do fenômeno religioso? Eu daria as seguintes respostas:
1. Medo da morte
A humanidade nunca aceitou o
fato de morrer. Nunca aceitou o fim da sua existência. O homem além de não
querer morrer, ao perceber a inevitabilidade da morte, criou a religião e as
doutrinas religiosas que tratam da eternidade. Se o leitor for um pouco atento,
perceberá que todas as religiões dão respostas para o além vida. Seja a
salvação por meio da expiação do pecado, seja o paraíso, o purgatório, seja o
nirvana, a reencarnação e até o inferno para os maus. Ou seja, o homem por não
aceitar morrer, ou não aceitar o fim da sua existência após a morte física
criou as religiões para dá conforto e trazer a eternidade.
Lembrando: nem o suicida
quer morrer, ele quer acabar com seu sofrimento!
2. Medo da Natureza
A natureza sempre causou
medo aos seres humanos. Mesmo hoje, em pleno século XXI, com milhares de
espécie animais em extinção, como também a extinta Mega fauna (animais gigantes
que viveram a alguns milhares de anos como o Mamute, Mastordonte e
Tigre-dente-de-sabre que podiam devorar os seres humanos com facilidade) o
homem ainda em contato com a natureza pode encontrar a morte. Existem milhares
de animais peçonhentos como serpentes, aranhas, escorpiões e outros que podem
nos matar com facilidade; e outros como leões, tigres, tubarões, crocodilos que
podem nos devorar.
Por conta desse medo da
natureza, os homens criaram as religiões, como também, ritos de proteção. Até
as pinturas rupestres (pinturas sobre rochas) encontradas em cavernas em
diversas partes do mundo, inclusive no Brasil, são na realidade rituais de
magia para trazer sorte na caça. Pois normalmente as figuras pintadas são de
homens caçando e de animais.
3. Medo dos fenômenos
naturais (raios, trovão, tsunamis, eclipses, maremotos, terremotos, etc.)
Os fenômenos naturais sempre
horrorizaram os seres humanos. É quase impossível encontrar alguém que não
tenha medo de tempestades, raios, trovões; quanto mais de maremotos,
terremotos, ciclones e de erupções vulcânicas. Mesmo o Brasil sendo um país
privilegiado, de vez em quando ocorrem alguns fenômenos de colocar medo, como
chuva de granizo.
Todos esses fenômenos
citados por trazerem medo, morte e destruição foram entendidos desde tempos
imemoriais que os deuses estavam irados com os seres humanos, por isso, criaram
ritos religiosos e sacrifícios para aplacar a fúria dos deuses. Muitas das
vezes sacrifícios humanos.
Sem contar que inúmeras
religiões primitivas têm astros como deuses, por exemplo o Sol e a Lua. E
muitos deuses do politeísmo estão associados a fenômenos da natureza, como Deus
da chuva, do Trovão, do raio e etc.
4. Falta de conhecimento
científico e racional
Quando não se possui
conhecimento racional e científico da realidade, as pessoas vão recorrer aos
deuses para explicar a realidade circundante. Os mitos foram criados assim. O
que é o Mito? Mito é uma narrativa sagrada. Que conta como os Entes
Sobrenaturais trouxeram a realidade a existência, seja o cosmo (mundo), seja o
homem, seja uma ilha, seja um vegetal, seja a morte e etc.
Lembrando que a ciência
surge com Galileu e Copérnico no século XVII, ou seja, é um conhecimento muito
recente e pouco socializado. Que ocorre principalmente nos países ocidentais,
sobretudo os europeus, os EUA e o Japão, ficando os outros povos a margem desse
conhecimento. Com isso, quando eu não tenho como explicar a realidade baseado
na razão e na ciência (que também não são capazes de explicar tudo) eu crio as
religiões e apelo aos Entes sobrenaturais.
5. A natureza como testemunha do criador. É quase impossível atribuir ao acaso
a beleza e exuberância da criação.
O apóstolo Paulo afirma em
Rm 1:20 “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como
também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do
mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são,
por isso, indesculpáveis;”
O que o apóstolo está dizendo de maneira clara é que a criação da testemunho do
seu criador, sendo assim, se os homens não ouvirem a pregação da própria
natureza, ou se negarem a ouvi-la, se tornam indesculpáveis ou imperdoáveis.
Essa é a revelação divina por meio das coisas criadas. Não precisando portanto,
de nenhuma escritura sagrada, religiões e quaisquer ritos religiosos, pois a
própria criação é fonte natural de conhecimento do divino.
Por conta desse quinto
argumento, muitos teólogos vão defender que a existência de um Poder Superior é
percebível desde os primórdios da humanidade através do testemunho das coisas
criadas.
Até o líder intelectual do
ateísmo, Richard Dawkins, afirmar isso num debate[1], que quando ele está
diante de uma natureza exuberante vem o sentimento da adoração.
E esse sentimento é o mesmo que nos advém diante de um céu estrelado, quando
nós nos perguntamos: Quem é que fez essa maravilha? Quem criou algo tão
majestoso e infindo? Ou diante de uma praia maravilhosa, como muitas da nossa
região, ou diante de uma cachoeira ou das cataratas do Iguaçu. Sempre diante de
uma natureza majestosa nosso coração se enche de entusiasmo, louvor e de
questões metafísicas.
Esses são a meu ver os principais
motivos para a universalidade do fenômeno religioso.
[1] Debate Deus Um Delírio feito por uma
organização cristã norteamericana. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=dG04YnJxWOU&t=1098s&ab_channel=FADBA-MarceloTorres.
Acessado em 21/10/2020.
quarta-feira, 20 de junho de 2018
Você conhece o Cemitério dos Deuses Mortos?
Uma vez adorados por civilizações inteiras, agora apenas mitos.”
Uma instituição agnóstica(AHA) teve a interessante ideia de criar lápides mostrando os milhares de Deuses que já existiram e sucumbiram com o tempo, grandes verdades que moveram nação hoje não passam de mera mitologia em livros de história, e pensar que pessoas já dedicaram suas vidas seguindo suas doutrinas e até morreram por eles. As crianças aprendem hoje que isso é mera fantasia, mas e daqui a 5 mil anos, quais serão as fantasias?
sábado, 5 de maio de 2018
Reflexões na hora do almoço
Hoje bem cedinho pela manhã, me deparei com esta cena. A gente não precisa de muita criatividade para entender o que aconteceu. Nos minutos que me sobraram antes da chegada dos alunos, fiquei pensando em como temos falhado miseravelmente com a educação. Os portões de um colégio deveriam estar escancarados e ainda assim os alunos deveriam desejar ficar.
Se a escola fizesse sentido para eles desde sempre, talvez alcançássemos essa meta que hoje parece ser tão utópica. Fugir da escola é normal? Não gostar de estudar é normal? Penso que não. Não é normal é normose (doença da normalidade).
Se considerarmos que o que se ensina na escola é a própria cultura humana. Que todos os conhecimentos já adquiridos pela humanidade lá estão , como podemos imaginar que alguém se recuse a receber tais ensinamentos e a possuir tamanho poder?
Dizem corriqueiramente que os nossos alunos não querem nada.Pode ser que não tenham lhes ensinado o que e para que querer.
Talvez nossos alunos não tenham aprendido a aprender.Talvez nós professores não tenhamos aprendido a ensinar.
Talvez a escola não fosse um lugar do qual se precisasse fugir se nós soubéssemos porque ficar.
No fundo a escola não é um lugar ruim, pena que tem aula.
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
Legalidade X Moralidade e os Magistrados brasileiros
Há uma frase de autor desconhecido que diz que “A Justiça é o conceito que este mundo mais desconhece”. E isso é simples de entender. As pessoas erroneamente supõem que para haver justiça ou aplicar a justiça basta cumprir as leis de uma determinada Nação, Estado ou Município. Porém, as leis são normalmente feitas por um determinado grupo, as elites econômicas ou as castas político-religiosas. Portanto, as leis beneficiam quase que exclusivamente a esses grupos dominantes, não toda a sociedade, como pensam os incautos.
Ter um conjunto de leis, uma constituição e numerosos decretos
legais não é garantia que a justiça esteja sendo feita, pois aonde há
privilégios não pode haver justiça.
Legalidade e Moralidade são conceitos distintos, no Brasil
normalmente estão em oposição. E esse excerto foi escrito para demonstrar quem
nem tudo que é Legal é Moral. E iremos utilizar como Estudo de Caso a concessão
de Auxílio–Moradia para Magistrados e membros do MP (atualmente 4.377,00 por
mês).
Mas, primeiro vamos definir o que são esses dois conceitos:
Legalidade e Moralidade.
Legalidade é a qualidade ou estado do que é legal, do que está
conforme com ou é governado por uma ou mais leis.
O princípio da legalidade consiste no dever do administrador
público de agir conforme a lei e o direito. Significa dizer, ao gestor público
é permitido realizar tudo o que a lei prevê. O silêncio da lei deve ser
interpretado como uma proibição.
Já a Moralidade é o conjunto dos princípios morais, individuais
ou coletivos, como a virtude, o bem, a honestidade, etc.;
A moralidade se refere à ética, decoro, lealdade, probidade e
boa-fé na condução do aparato público. O respeito a estes preceitos é o mínimo
que se espera de qualquer agente político, sobretudo, no caso aqui estudado,
dos magistrados.
Voltando ao benefício em questão, o auxílio-moradia. Deveria ser
pago exclusivamente ao magistrado que estivesse prestando serviços em uma
comarca, onde o mesmo não tivesse moradia fixa. Mas esse benefício foi
estendido a todos os magistrados pelo Ministro do STF Luiz Fux através de
liminares em 2014. Hoje 18 mil juízes recebem esse benefício, mesmo possuindo
casa própria.
O Brasil gasta segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) R$
1,1 Bilhão de reais por ano, somente com o auxílio-moradia. Com esse dinheiro
poderia se construir mais de 50 mil casas populares por ano, para aqueles que
precisam de fato. Sem contar os demais inúmeros penduricalhos, que é o nome
dado os demais benefícios que se juntam ao salário base dos juízes.
O desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo José Antônio
de Paula Santos Neto é proprietário de 60 imóveis, nos principais bairros da
capital paulista, mesmo assim é recebedor dessa benesse “legal”.
Mas o que é de estranhar são os dois grandes paladinos do
judiciário brasileiro receberem esse auxílio, os juízes Sérgio Moro e Marcelo
Bretas, ambos magistrados federais responsáveis pela Operação Lava Jato,
endeusados por grande parcela da população brasileira e com prestígio mundial.
Mesmo possuindo casa própria, eles recebem o auxílio-moradia, de maneira
imoral, leviana, ignominiosa, porém legal!
O caso de Bretas ainda é pior e mais imoral que o do Moro. Pois
ele por ser casado com uma juíza, ainda residindo no mesmo apartamento em
frente ao Corcovado, num dos locais mais lindos e caros do Rio de Janeiro,
ambos recebem o benefício, o que é proibido pelo CNJ, mas o casal recebe quase
R$ 9.000 de auxílio por conta de uma liminar de 2015.
Moro ao ser questionado sobre o recebimento imoral do benefício
disse que é uma compensação salarial por falta de aumento. A repórter da Jovem
Pan, outrora, fã do juiz o respondeu, dizendo: “Tá errado, Moro.
Auxílio-moradia não é compensação salarial. Auxílio-moradia está previsto em
Lei mais é anacrônico, imoral e não é condizente com o padrão ético e moral de
juízes como senhor, Marcelo Bretas... que pregam e apregoam como uma novidade
para o Brasil, um novo patamar de ética.”
Já o juiz Marcelo Bretas foi, extremamente, irônico em seu
Twitter sobre o recebimento imoral de seus dois benefícios. Numa atitude
lastimável e indigna de um magistrado que condenou Sérgio Cabral e outros
corruptos e que inicia suas sentenças citando versos bíblicos.
Lembrando que “A justiça é um valor que nasce no coração e se
revela na coragem das nossas ações”. Já dizia Martin Luther King: “A injustiça
num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar”. E “Bastava um dia
de justiça para este mundo se tornar um lugar diferente”.
Além de receberem o imoral auxílio-moradia, ainda recebem acima
do teto Constitucional, de R$ 39.233,92 que é o valor máximo que um juiz
federal (ou qualquer outro servidor) deve receber no país.
Meu amigo Hainner Azevedo escreveu em seu Facebook: “Desejo a
todos os professores o salário inicial do auxílio-moradia de um juiz”. Ou seja,
benefícios legais, todavia, imorais para uns; salário indigno e imoral para
outros. E ambos professores e juízes são fundamentais a uma sociedade.
Além do expresso acima é fato notório a crise
econômico-financeira vivenciada pela União e pelos estados brasileiros.
Assim, no enfrentamento à crise vários cortes foram feitos no
orçamento e em programas de extrema relevância à população. Contudo, os
benefícios de certa casta do funcionalismo público e dos políticos só aumentam.
Destarte, qualquer medida que se caracteriza como despesa não
voltada às atividades essenciais do estado caracteriza-se como ilegítima, pois
viola a moralidade administrativa.
A presidenta do STF, a Ministra Carmem Lúcia disse que é
“inadmissível desacatar a justiça brasileira”. Mas é ela e seus colegas que em
decisões que beneficiam a si próprios que desmoralizam o poder judiciário, com
a desfaçatez da legalidade.
Diante do exposto, não podemos nos calar diante de benefícios
imorais que determinado grupo recebe com o manto da legalidade. Ainda mais
aqueles que se gabam e ganham fama e notoriedade como os heróis nacionais e
perseguidores de corruptos. Quando na verdade, o recebimento de tal benefício
também é um ato abjeto, ainda mais em tempo de crise econômica, sendo eles
aqueles que recebem os maiores salários dentre todo o funcionalismo público.
Precisamos de mais Moralidade que de legalidade. Ou de leis mais
justas e morais!
sábado, 3 de fevereiro de 2018
Votos Nulo podem anular uma eleição?
Voto nulo pode anular de fato as eleições?
Com 51% de votos nulos a eleição está anulada e haverá
outra com candidatos diferentes?
Toda vez que estamos perto do pleito eleitoral,
as pessoas fazem as perguntas acima. A maioria da população crê que as
respostas a essas questões sejam afirmativas. Ledo engano.
É mentirosa a informação de que votos brancos ou
nulos são contados. Como também é falsa a de que o voto branco ajuda aos
partidos que estão à frente e que se 51% dos eleitores votarem nulo a eleição estará
anulada e haverá outra com novos candidatos.
Mais um equívoco: a única forma de
anular o voto é clicar 000 e a tecla verde (Confirma).
Essas afirmações só demonstram a falta de
conhecimento das pessoas sobre a legislação eleitoral vigente no Brasil.
Existem inúmeros vídeos de advogados e juristas
desmentindo essas falácias.
Tanto os votos brancos quanto os nulos são considerados inválidos, não são contados,
só servindo às estatísticas. Por isso, se em um pleito eleitoral o candidato tiver
um único voto, ele ganhará a eleição com 100% dos votos válidos, pois só o dele
será contado e os demais brancos e nulos não.
Portanto, voto nulo só serve para demonstrar a
indignação e o protesto popular! De novo, a única coisa que o eleitor terá ao
votar branco ou nulo é a desconsideração de seu voto e a demonstração de sua
insatisfação com os candidatos ou com a política nacional, estadual e
municipal!
O problema é que as pessoas, por não conhecerem
a Lei e os termos jurídicos, não sabem diferenciar nulidade eleitoral de votos nulos.
Para os defensores da campanha do voto nulo, o
art. 224 do Código Eleitoral prevê a necessidade de marcação de nova eleição se
a nulidade atingir mais de metade dos votos do país. O grande equívoco dessa
teoria reside no que se identifica como “nulidade”. Não se trata, por certo, do
que a doutrina e jurisprudência chamam de “manifestação apolítica” do eleitor,
ou seja, o voto nulo que o eleitor marca na urna eletrônica ou convencional.
A nulidade a que se refere o Código Eleitoral
decorre da constatação de fraude nas eleições, como, por exemplo, eventual
cassação de candidato eleito condenado por compra de votos. Nesse caso, se o
candidato cassado obteve mais da metade dos votos, será necessária a realização
de novas eleições, denominadas suplementares. Até a marcação de novas eleições
dependerá da época em que for cassado o candidato, sendo possível a realização
de eleições indiretas pela Casa Legislativa.
Ou seja, se a nulidade eleitoral (cassação de
mandato) ocorrer até o dia de completar dois anos da eleição, haverá uma nova
eleição direta: a população vai às urnas eleger novo Prefeito, Governador ou
Presidente da República. Isso só serve para cargos do Poder Executivo.
Mas, se a nulidade ocorrer após os dois
primeiros anos da eleição (passados 2 anos e 1 dia do pleito) haverá eleições indiretas:
a Casa Legislativa votará e escolherá o novo chefe do Poder Executivo.
Isso foi o que ocorreu em Cabo Frio e em Rio das
Ostras com as eleições de junho de 2018, pois os respectivos prefeitos
Marquinhos Mendes e Carlos Augusto tiveram seus mandatos cassados pelo Tribunal
Superior Eleitoral (TSE). Tal fato também ocorreu em Iguaba Grande, com a
cassação do mandato da prefeita Graziela, após a liminar que a mantinha no
cargo cair e os ministros do Supremo Tribunal Federal a cassarem por
unanimidade.
Lembrando: uma eleição direta acontece quando a
perda do mandato do chefe do Executivo Federal (Presidente da República), Estadual
(Governadores de Estado e do Distrito Federal) e Municipal (Prefeitos) se der
nos dois primeiros anos de seu mandato. Já a eleição Indireta ocorrerá quando
se passarem os dois primeiros anos, nesse caso as Casas Legislativas (Câmaras
Municipais, Assembleias Estaduais e o Congresso Nacional - Câmara dos Deputados
e Senado) escolherão entre seus parlamentares ou vereadores o que governará o
Município, o Estado ou a Nação, em substituição ao chefe do Poder Executivo
cassado.
Portanto, é falsa, mentirosa e ilusória a crença
de que se 51% dos eleitores votarem nulo ocorrerão novas eleições!
[1] Texto escrito em
04/02/2018, após eu assistir a um vídeo postado no Facebook com mais de 900 mil
visualizações, que afirmava erroneamente que votos nulos anulavam uma eleição se
ultrapassassem 51% da totalidade de votos em uma determinada eleição. Eu me
assustei com o numeroso acesso de pessoas a uma informação falsa. Por isso, decidi
redigir este artigo para alertar sobre o que a legislação eleitoral de fato
afirma.
quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
Relacionamento a Dois e a Lógica de Mercado (por Acioli Junior)
Vivemos dias difíceis. Tenebrosos! Não está fácil pra ninguém.
Até aqueles que possuem um poder aquisitivo alto ou se destacam socialmente
(jogadores, artistas, políticos, traficantes e etc.) têm dificuldades de se
relacionar num mundo de relações líquidas e de tempos líquidos, pelo simples
fato de que facilidade não é sinônimo de reciprocidade, estabilidade relacional
e de cumplicidade, muito pelo contrário, pode significar relações vazias,
fúteis, sem comprometimentos e descartáveis.
No início do século XXI ou agora em 2020, se um jovem ouvisse de
seus avós as histórias de como era o namoro deles há 40 anos, ficará
estarrecido pensando que isso ocorreu no Paleolítico com os homens e mulheres
da caverna, mesmo com pouca proximidade temporal. Essas poucas décadas geraram
uma profunda Revolução nas relações a dois.
As famosas bodas de prata, ouro e diamante foram dando lugar ao
“ficar”, ao sexo sem compromisso e sem laços afetivos. As separações estão cada
dia mais corriqueiras e normalizadas nas sociedades contemporâneas.
Essa inconsistência nas relações, tão presente atualmente, foi
prevista pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em “Amor Líquido”. Na obra, ele
discute os relacionamentos na contemporaneidade, em que nada é feito e que
escorre pelos vãos dos dedos.
Bauman faz uma metáfora das relações com um vaso de cristal, que
quebra na primeira queda. As crises, assim, não são mais para ser superadas, e
sim, tornam-se o motivo para o fim do relacionamento.
Os relacionamentos nos dias atuais possuem a mesma lógica de
Mercado, veja os exemplos abaixo:
Aparelhos eletrônicos, eletrodomésticos, carros e móveis não são
feitos para durar, são planejados na intenção de serem substituídos em pouquíssimo
tempo, no que se chama de obsolescência programada que “é a decisão do produtor
de propositadamente desenvolver, fabricar, distribuir e vender um produto para
consumo de forma que se torne obsoleto ou não-funcional especificamente para
forçar o consumidor a comprar a nova geração do produto”. Já a obsolescência
perceptível, conforme Layrargues (2005, p, 183) acontece quando as pessoas são
induzidas a consumir bens que se tornam obsoletos antes do tempo, tendo em
vista que atualmente os produtos saem das fábricas com tempo de validade preestabelecidos.
Desta forma, observa-se que os avanços tecnológicos contribuem
para o descarte de produtos que ainda poderiam ser úteis. A todo o momento
aparecem produtos mais sofisticados no mercado. Percebe-se, assim, uma clara
união entre a obsolescência perceptiva e a criação de “demandas artificiais no
capitalismo”, induzindo o indivíduo ao pensamento ilusório de que a vida útil
do seu produto esgotou-se, mesmo que ele ainda esteja em perfeitas condições de
uso. (Santos Junior, p. 6).
Até os relacionamentos a dois, casamento, noivado e namoro,
incutiram essa e outras lógicas de mercado, que é a ideia que relação tem prazo
de vaidade ou que pode ser brevemente substituída por “aquele ou aquela” que se
apresentar melhor, mais belo, mais atlético, mais sexy, mais rico, que seu
parceiro ou parceira.
Outras duas lógicas mercadológicas têm dominado os relacionamentos
interpessoais em nossos dias: a lógica do “Descartável” e do “Não tem
Conserto”.
A lógica do Descartável é aquela do “usou e jogou fora”. Como
copos e pratos plásticos que são usados em festas, que após seu uso, vai para o
lixo, diferente das louças de porcelana e vidro que são lavadas com cuidado e
guardadas. Há algumas décadas, as pessoas substituíram o uso do vidro e da
porcelana pelo plástico descartável, para simplesmente não terem trabalho.
Infelizmente essa lógica passou para as relações conjugais e afetivas quando se
consegue chegar a elas, normalmente ficamos no “ficar” e no sexo casual, mas
até essas relações aparentemente mais duradouras tornaram-se meramente
descartáveis. Nos EUA, por exemplo, de cada 10 casamentos, 5 se separam em
menos de uma década, no Brasil e na Europa, não é diferente, mesmo sendo nós
majoritariamente uma civilização cristã, que se casam ouvindo o sacerdote
dizer: “até que a morte vós separe”, essa frase perdeu-se a importância nos
últimos tempos, tornando-se apenas um clichê bonito de ouvir e dizer!
Outra lógica dos dias atuais é a do “Não tem Conserto”. Ela é
mercadológica e baseia-se na facilidade de ter produtos semelhantes ou
similares a preço baixo, não significando que não haja conserto de fato em seu
produto que por algum motivo esteja com problemas, mas que simplesmente é mais
fácil substituí-lo por um novo do que investir tempo, dinheiro e afetividade em
restaurá-lo. É só lembrarmo-nos do trabalho minucioso e cuidadoso dos
restauradores do Patrimônio Histórico para perceber que é mais fácil e rápido
substituir que restaurar. Essa mesma ideia, assim como a do “descartável”
passou a dominar as relações interpessoais. Sendo mais fácil substituir uma
relação que tem mostrado algum problema, mesmo que o problema seja de fácil ou
média resolução, por novas relações. Até com os verdadeiros amigos de longa
data temos agido com semelhante lógica, pois só eles têm coragem de dizer-nos duras
verdades que ninguém ousaria nos falar, talvez por isso, queiramos substituir
esses nobres companheiros, por mais um colega, sem nenhuma profundidade
relacional.
Contra toda essa lógica descrita acima, foi gravado o filme cristão
cujo título é “Prova de Fogo”, que apresenta a ideia de restauração e luta pelo
relacionamento esfacelado e problemático com tudo para ser destruído. Essa obra
cinematográfica tem como protagonista um bombeiro que perdeu o interesse pela
sua esposa e viu seu casamento desmoronando. Na tentativa de reverter a
situação, ele resolve procurar ajuda em um livro cristão de Autoajuda. Guiado
pelo livro e com o auxílio de seu pai, ele embarca em uma missão de 40 dias
para salvar seu casamento do divórcio.
Diante do exposto, só temos duas saídas, ou vamos pela via mais
fácil, que é sucumbir e ceder a Lógica de Mercado nas relações interpessoais,
ou seja, vivermos em relações líquidas, não sólidas e sem raízes, num eterno
troca-troca, sem compromissos e sem uma história de vida. Ou buscamos o caminho
estreito, difícil e escabroso, que é investir numa relação duradoura e seus
muitos percalços, essa segunda via só é possível com o amadurecimento pessoal,
capacidade de perdoar, doação, reciprocidade e compaixão.
Devemos fazer uma introspecção e procurar o melhor caminho.
Lembrando que hoje se relacionar não está fácil pra ninguém, nem para o autor
do texto!!









